segunda-feira, 14 de setembro de 2026

Eduardo pede anulação de provas de “Dark Horse” após falha da polícia de Tarcísio


       Eduardo Bolsonaro e Tarcísio de Freitas. Foto: Reprodução

O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) pediu a anulação do inquérito do caso “Dark Horse” após a divulgação de documentos que apontam falhas na preservação de dispositivos apreendidos pela Polícia Civil de São Paulo. O material estava sob custódia de órgãos de segurança do governo de Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), aliado da família.

Em publicação no X no domingo (13), Eduardo escreveu: “É TUDO NULO”. Ele atacou o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), por retirar o sigilo de documentos da investigação paulista e determinar o compartilhamento das informações com a Polícia Federal.

O ex-parlamentar afirmou que Dino pretende usar “provas que podem ter sido fraudadas” e acusou o ministro de atropelar o relator de outra frente do caso, André Mendonça, e o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP). Eduardo não apresentou evidências de adulteração dos dados armazenados nos aparelhos.

Documentos liberados pelo STF indicam que o Instituto de Criminalística de São Paulo recusou inicialmente 27 equipamentos enviados para perícia: 13 pen-drives, nove notebooks e cinco celulares. Embora os lacres numerados estivessem intactos, os peritos identificaram aberturas nas embalagens que poderiam permitir acesso aos itens.


Perícia apontou risco de acesso aos aparelhos antes do exame

Em um dos registros, a perícia identificou um “vão suficiente para entrada de cabo de alimentação e transferência de dados”. Outros invólucros permitiriam a retirada de pen-drives sem o rompimento do lacre. Os relatórios não comprovam manipulação de conteúdo, mas registram que o acondicionamento não assegurava a preservação integral dos equipamentos.

A Polícia Civil apreendeu os dispositivos em 1º de junho. Depois da recusa do Instituto de Criminalística, os aparelhos retornaram à corporação, passaram por novo acondicionamento e receberam outros lacres antes de seguirem novamente para o exame pericial.

Ao levantar o sigilo, Dino ordenou que a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo envie à Polícia Federal o material bruto extraído dos aparelhos, além de documentos e dados financeiros reunidos no inquérito. O ministro conduz uma frente que apura suspeitas de uso e possível desvio de recursos públicos ligados a empresas envolvidas na produção do filme “Dark Horse”.

Eduardo e o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) aparecem entre os investigados na apuração sobre o financiamento da obra. Uma mensagem apreendida no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro indicou que os irmãos solicitaram uma reunião para tratar do filme em 18 de março de 2025, data em que Eduardo anunciou que permaneceria nos Estados Unidos. O relatório não confirma que o encontro ocorreu, e Eduardo nega ter se reunido ou conversado com Vorcaro.

A Polícia Federal também apura o destino de recursos enviados aos Estados Unidos para financiar a produção e verifica se parte do dinheiro teve relação com despesas de Eduardo no exterior. O deputado nega essa hipótese.

Fonte: DCM

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