O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques se declarou impedido nesta terça (15) de participar do julgamento que decidirá se a Corte abre uma investigação sobre Alexandre de Moraes. A saída dele muda a dinâmica da disputa e reduz o apoio ao relator do caso Master, André Mendonça, segundo a coluna de Malu Gaspar no jornal O Globo.
Antes de declarar impedimento, Kassio pretendia votar pela abertura do inquérito. A decisão também evita que ele enfrente um eventual pedido de suspeição apresentado por ministros ou advogados ligados à defesa de Moraes.
Kassio também é relator de um mandado de segurança protocolado em 25 de março pelos senadores Alessandro Vieira (MDB-SE) e Eduardo Girão (Novo-CE), que pedem a instalação de uma CPI para investigar o Banco Master. O requerimento reúne 53 assinaturas, acima das 27 necessárias, e a ação ainda aguarda decisão do ministro.
No início da sessão, Kassio afirmou que nunca trocou mensagens com o banqueiro Daniel Vorcaro e justificou o afastamento pela função que exerce no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Nunca troquei mensagem, não há registro de mensagem minha com Daniel Vorcaro. No entanto, entendo que tenho uma missão constituída pela Constituição Brasileira e que até agora tem sido confiada por Deus”, disse.
O ministro também declarou que a condução das eleições de 2026 o impede de atuar no caso. “Na condição de presidente do TSE, não me sinto confortável para participar do julgamento”, afirmou Kassio, ao mencionar que o primeiro turno ocorreria dali a 18 dias.
O julgamento envolve um relatório da Polícia Federal que identificou 52 mensagens trocadas entre Vorcaro e Moraes. A análise dos ministros definirá se o material reúne elementos para a abertura de investigação contra o vice-presidente do STF.

Mensagens sobre Kassio e repasses a seu filho
O conteúdo do celular de Vorcaro, liberado aos ministros, cita Kassio em duas situações. Uma delas relata uma despesa de R$ 10 mil paga pelo banqueiro para que uma garota de programa dormisse com o magistrado; a outra menciona conversas sobre um pagamento mensal de R$ 500 mil ao advogado Kevin de Carvalho Marques, filho do ministro.
Um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) identificou 11 transferências que somaram R$ 281,6 mil para Kevin. Os pagamentos ocorreram entre agosto de 2024 e julho de 2025, por meio da Consult, empresa de consultoria que recebeu R$ 6,6 milhões do Banco Master.
Fonte: DCM com informações da coluna da jornalista Malu Gaspar, no jornal O Globo
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