domingo, 13 de setembro de 2026

Ala ligada a Moraes deve apontar falhas processuais para pedir nulidade de relatório de Mendonça no STF

 Ministros devem discutir eventual nulidade do documento antes de avaliar investigação contra Alexandre de Moraes

Ministros do STF Alexandre de Moraes e André Mendonça durante sessão plenária - Crédito: Carlos Moura/SCO/ST

Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) próximos à posição de Alexandre de Moraes deverão concentrar parte da sessão de terça-feira (15) em possíveis falhas processuais na elaboração do relatório que reúne mensagens de Daniel Vorcaro e informações relacionadas ao magistrado. A discussão poderá determinar se o plenário chegará a avaliar a abertura de uma investigação contra Moraes.

Segundo o G1, um dos principais argumentos que poderão ser apresentados é uma eventual nulidade do relatório produzido no âmbito das investigações conduzidas pelo ministro André Mendonça. A falta de acesso à íntegra do conteúdo extraído pela Polícia Federal do celular de Vorcaro também poderá entrar no debate.

De acordo com a Procuradoria-Geral da República (PGR), a elaboração do relatório teria sido determinada por Mendonça dentro das investigações do caso Master sem comunicação prévia à Presidência do STF, sem submissão ao plenário e com suposto direcionamento.

Se o Supremo reconhecer um vício na origem do documento, os ministros poderão nem chegar à discussão sobre se as mensagens reunidas pela PF são suficientes para justificar uma investigação contra Moraes. Nesse cenário, também poderá ser adiada ou afastada a análise sobre a necessidade de acesso às eventuais respostas do ministro às mensagens de Vorcaro.


⦾ Relatório cita contrato de R$ 130 milhões

O relatório da Polícia Federal afirma que Moraes atuou diretamente na análise e na edição de um contrato de R$ 130 milhões firmado entre o Banco Master e o escritório de advocacia Barci de Moraes, de Viviane Barci, esposa do ministro.

Segundo a PF, dois dias antes de ser preso, Daniel Vorcaro enviou uma mensagem a Moraes perguntando se deveria deixar o Brasil.

O documento também afirma que Vorcaro pediu ajuda ao ministro para conter ações da Polícia Federal e do Ministério Público Federal contra o Banco Master.

Ainda conforme o relatório, Vorcaro e Moraes se encontraram oito vezes.

A controvérsia processual poderá, entretanto, ser analisada antes do conteúdo dessas informações. Caso prevaleça a tese de que houve irregularidade na produção do relatório, a discussão sobre o mérito das mensagens poderá nem ocorrer nesta etapa.

⦾ Prazo termina na segunda-feira

Alexandre de Moraes, André Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, têm até segunda-feira (14) para se manifestar sobre a produção do relatório.

Mendonça afirma que a cópia do conteúdo extraído do celular de Vorcaro e encaminhada pela Polícia Federal permanece lacrada em seu gabinete.

A situação acrescenta outra questão à análise do Supremo: além de decidir sobre a regularidade da produção do relatório, os ministros poderão discutir quais elementos precisam estar disponíveis para que o plenário avalie uma eventual investigação envolvendo um integrante da própria Corte.

⦾ Fachin ainda não definiu rito da sessão

O presidente do STF, Edson Fachin, ainda não anunciou o rito da sessão marcada para terça-feira.

O caso é inédito no Supremo e envolve questões que ainda não têm resposta definida, entre elas a possibilidade de o próprio Moraes se manifestar durante a sessão e a forma de participação da Procuradoria-Geral da República.

Há expectativa de que a sessão seja aberta, embora possa haver alguma restrição ao acesso do público ao plenário. Também não está descartada a possibilidade de um ministro apresentar uma questão de ordem para que a discussão ocorra de forma fechada.

A definição do rito será particularmente importante porque o plenário terá de decidir como tratar informações relacionadas a um de seus próprios integrantes.

⦾ Toffoli pode não participar

A participação do ministro Dias Toffoli também é uma das questões pendentes.

Toffoli teria indicado a colegas que a tendência é não participar da sessão, uma vez que a controvérsia é um desdobramento do caso Banco Master.

O ministro deixou a relatoria do caso no início deste ano após a divulgação de informações sobre uma possível relação com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

A sessão de terça-feira, portanto, poderá ser marcada inicialmente por uma discussão processual, anterior à análise das mensagens: saber se o relatório que colocou a conduta de Moraes sob análise do Supremo foi produzido de maneira válida.

O resultado dessa discussão poderá definir se os ministros avançarão para o conteúdo das informações reunidas pela Polícia Federal e para a possibilidade de abertura de investigação contra Moraes ou se o debate será interrompido ainda na análise da validade do relatório.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Nenhum comentário:

Postar um comentário