quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Polícia confirma que ossadas são de primas desaparecidas no Paraná

 A polícia acredita que Letycia e Sttela foram mortas no próprio dia 21 de abril, depois de deixarem uma boate

Primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida estão desaparecidas há mais de uma semana no Paraná  -  Crédito: Reprodução

A Polícia Civil do Paraná confirmou nesta quinta-feira (27) que as ossadas encontradas enterradas em uma área rural de Paraíso do Norte pertencem às primas Letycia Garcia Mendes e Sttela Dalva Melegari Almeida, ambas de 18 anos. As jovens estavam desaparecidas desde 21 de abril, depois de saírem com Clayton Antonio da Silva Cruz, apontado como principal suspeito das mortes. As informações são do G1.

Segundo a investigação, a polícia acredita que Letycia e Sttela foram mortas no próprio dia 21 de abril, depois de deixarem uma boate em Paranavaí acompanhadas de Clayton.

Os restos mortais haviam sido localizados na última sexta-feira (21), quase quatro meses após o desaparecimento. A descoberta ocorreu depois que um segundo suspeito, identificado pela polícia apenas como “Magrão”, foi preso e indicou aos investigadores o local onde as ossadas estavam enterradas.


No mesmo dia em que os restos mortais foram encontrados, Clayton, de 39 anos, morreu durante uma abordagem policial em Mandaguari. Ele era procurado desde abril e tinha mandado de prisão expedido por suspeita de envolvimento no desaparecimento e na morte das duas jovens.

A confirmação da identidade das vítimas foi feita por meio da comparação dos arcos dentais. Os exames periciais também encontraram indícios de que as duas tiveram mortes violentas.

“[…] a determinação da causa, mecanismo e dinâmica das mortes depende dos exames médico-legais complementares”, diz a nota da Polícia Civil.

Os restos mortais somente serão liberados às famílias após a conclusão dos exames periciais. A investigação continua para esclarecer de que maneira as jovens foram mortas, qual teria sido a participação de cada suspeito e as circunstâncias que antecederam os crimes.

 Últimos registros das jovens

A reconstrução feita pela Polícia Civil começa na noite de 20 de abril. Às 22h39, câmeras registraram Letycia e Sttela deixando Cianorte na caminhonete de Clayton, que Letycia conhecia pelo nome de “Davi”.

Pouco depois, às 22h54, o veículo foi filmado entrando em Jussara, onde Sttela morava com a mãe. A jovem passou pela residência para buscar uma mochila. Às 22h55, publicou uma imagem nas redes sociais de dentro da caminhonete, na qual aparecia com uma garrafa de uísque.

A postagem continha a frase “Qual será o nosso destino KKKK”.

Às 23h13, o trio deixou Jussara em direção a Maringá pela PR-323. Já aos 16 minutos do dia 21 de abril, Sttela fez outra publicação, desta vez no trevo entre Presidente Castelo Branco e Nova Esperança. Clayton aparecia na imagem.

Por volta de 1h10, câmeras de segurança registraram os três chegando a uma boate em Paranavaí. Imagens do estabelecimento mostram as primas caminhando de mãos dadas e, em outros momentos, na companhia de Clayton.

A última conexão de Sttela à internet ocorreu às 3h17 daquela madrugada, conforme dados obtidos pela polícia após quebra emergencial de sigilo do WhatsApp.

A partir daí, não houve mais registros conhecidos das duas jovens. A Polícia Civil trabalha com a hipótese de que elas tenham sido assassinadas pouco depois de deixarem a boate.

 Suspeito reapareceu sozinho

Entre os dias 22 e 23 de abril, Clayton retornou sozinho a Cianorte, segundo a investigação. Ele já não estava com a caminhonete e voltou a deixar a cidade utilizando uma motocicleta e sem o telefone celular.

A última conexão do suspeito à internet identificada pelos investigadores ocorreu às 9h de 23 de abril. No dia seguinte, a polícia descobriu registros da passagem dele por Maringá.

Em 29 de abril, a Justiça expediu mandado de prisão contra Clayton pelos crimes de roubo e homicídio. A partir daquele momento, ele passou a ser considerado oficialmente foragido.

A investigação também alcançou pessoas próximas ao suspeito. Em 15 de maio, uma mulher apontada como ex-namorada de Clayton foi presa pela Polícia Civil sob suspeita de ter prestado apoio financeiro e logístico enquanto ele permanecia foragido.

Em junho, equipes policiais realizaram buscas na área rural de Paraíso do Norte em busca de pistas sobre o paradeiro das jovens, mas os restos mortais ainda não haviam sido localizados.

A virada na investigação ocorreu em 21 de agosto. Clayton foi localizado e morreu em uma abordagem policial em Mandaguari, enquanto outro suspeito foi preso em Umuarama. Segundo a polícia, foi esse segundo homem quem revelou onde estavam enterradas as ossadas.

Com a confirmação de que os restos mortais pertencem a Letycia e Sttela, a investigação passa a concentrar esforços na reconstrução das mortes e na definição da responsabilidade dos envolvidos. Os exames médico-legais ainda deverão estabelecer a causa das mortes e fornecer elementos sobre como os crimes foram cometidos.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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