Governador paulista enfrenta desgaste político após medidas tarifárias dos EUA e vê episódio de apoio ao presidente norte-americano voltar ao centro do debate
Governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, apoia agressão de Donald Trump ao Judiciário brasileiro
Crédito: Reprodução
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), terá até outubro um desafio político que, segundo avaliação do jornalista Elio Gaspari, pode comprometer sua imagem diante do eleitorado paulista: explicar a associação pública com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em um momento em que o novo pacote de tarifas imposto por Washington ameaça negócios brasileiros e pode provocar demissões. A análise foi publicada neste domingo (19) na coluna de Gaspari na Folha de S.Paulo
O articulista lembra que Tarcísio aparece, em um vídeo gravado em janeiro de 2025, usando um boné vermelho com a inscrição “Maga” (“Make America Great Again”), principal slogan das campanhas de Donald Trump. À época, o gesto já havia sido alvo de críticas, mas, segundo Gaspari, ganhou um novo significado diante do segundo tarifaço anunciado pelo governo norte-americano.
De acordo com a coluna, o governador lidera a disputa pelo Palácio dos Bandeirantes com vantagem de 16 pontos sobre Fernando Haddad, mas o episódio do boné pode representar seu primeiro revés político relevante desde o início da corrida eleitoral. Gaspari afirma que Tarcísio já havia sido alertado de que a demonstração pública de alinhamento com Trump poderia ter consequências futuras.
⦿ Tarifaço amplia desgaste
Na avaliação do colunista, além das críticas dirigidas ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, as novas tarifas impostas pelos Estados Unidos tendem a afetar empresas brasileiras, dificultar negócios e aumentar o risco de demissões em diversos setores da economia.
O argumento central da análise é que a identificação política com Trump torna mais difícil para Tarcísio se desvincular dos efeitos econômicos das medidas adotadas pelo governo norte-americano, especialmente em um estado com forte presença industrial e exportadora como São Paulo.
Gaspari sustenta que o governador precisará responder ao eleitorado sobre essa proximidade justamente quando os impactos comerciais das decisões de Washington começam a repercutir no Brasil.
⦿ Crítica à política externa dos EUA
Em outro trecho da coluna, Elio Gaspari critica a condução da política externa do governo Trump em relação à Venezuela. O jornalista observa que, após oferecer recompensa de até US$ 25 milhões pela captura de Diosdado Cabello, ministro do Interior do governo de Nicolás Maduro, a administração norte-americana acabou promovendo uma ação que, segundo ele, resultou na manutenção de Cabello no cargo.
Gaspari escreve que “nem um raivoso anti-americano seria capaz de imaginar” esse desfecho e afirma que, diante do resultado da operação, “Donald Trump e Marco Rubio tornaram-se os patronos do maior traficante de cocaína que denunciavam”. A afirmação integra a opinião do colunista.
⦿ Terras raras e lição histórica
A coluna também aborda a estratégia brasileira nas negociações comerciais envolvendo minerais estratégicos. Segundo Gaspari, fracassou a ideia de utilizar as terras raras como instrumento de barganha nas negociações tarifárias com os Estados Unidos.
Como referência histórica, o jornalista sugere que o governo federal recorra aos documentos das negociações conduzidas durante o governo Getúlio Vargas sobre as areias monazíticas do Espírito Santo, realizadas durante a Segunda Guerra Mundial, para compreender experiências anteriores envolvendo recursos minerais estratégicos e interesses norte-americanos.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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