segunda-feira, 27 de julho de 2026

Maioria dos brasileiros diz que amigos, família e redes sociais não influenciam no voto, diz Datafolha

Levantamento aponta que a maioria dos eleitores descarta interferência de pessoas próximas, imprensa, redes sociais e líderes religiosos na escolha para 2026

Urna eletrônica
Crédito: Valter Campanato/Agência Brasil

A maior parte dos brasileiros afirma que opiniões de familiares, amigos, imprensa, redes sociais e líderes religiosos não deve interferir na escolha do candidato à Presidência da República em 2026, segundo pesquisa Datafolha divulgada pela Folha de São Paulo na sexta-feira (24).

O levantamento mostra que, em todos os grupos testados pelo instituto, a resposta “nenhuma influência” foi majoritária. O percentual mais baixo aparece entre jornalistas e profissionais da imprensa, citados por 58% dos entrevistados como sem impacto sobre o voto. No outro extremo, líderes religiosos foram apontados por 67% como sem influência na decisão presidencial.

Entre eleitores que vivem em relacionamento estável, 60% dizem que a opinião do companheiro ou da companheira não terá nenhum peso na escolha. Já entre os entrevistados com filhos de 16 anos ou mais, 61% afirmam que a opinião dos filhos não interfere no voto. Amigos próximos e pessoas acompanhadas nas redes sociais aparecem empatados, com 62% de respostas indicando “nenhuma influência”.

Quando o Datafolha soma as respostas “muita influência” e “um pouco de influência”, jornalistas e pessoas da imprensa chegam a 38%, mesmo índice registrado por companheiros ou companheiras entre entrevistados em relacionamento estável. Filhos e amigos próximos aparecem com 36%, enquanto pessoas seguidas nas redes sociais somam 32%.

Apesar dessas variações, o instituto aponta que, consideradas as margens de erro, não é possível afirmar que um único grupo seja o mais influente na escolha do voto presidencial.

Os líderes religiosos registram o menor patamar de influência entre os itens avaliados. Segundo a pesquisa, 23% dos entrevistados dizem que a opinião deles terá muita ou alguma influência na decisão. Outros 7% afirmaram não ter líderes religiosos ou não frequentar igreja.

Ao considerar apenas a resposta “muita influência”, filhos aparecem com 21%, seguidos por companheiros ou companheiras, com 20%. Jornalistas e profissionais da imprensa vêm em seguida, com 17%; amigos próximos, com 16%; pessoas acompanhadas nas redes sociais, com 15%; e líderes religiosos, com 13%. As diferenças entre os primeiros colocados ficam dentro das margens de erro.

O levantamento também aponta diferenças por gênero. A opinião de amigos próximos terá muita ou alguma influência para 40% dos homens, contra 31% das mulheres. No caso das pessoas seguidas nas redes sociais, os percentuais são de 36% entre homens e 29% entre mulheres. A margem de erro é de três pontos percentuais para cada grupo.

A influência atribuída a líderes religiosos varia de acordo com a escolaridade. Entre entrevistados com ensino fundamental, 30% dizem que a opinião deles terá muita ou alguma influência na escolha presidencial. Entre pessoas com ensino superior, o índice cai para 15%. As margens de erro são de três e quatro pontos percentuais, respectivamente.

Também há diferenças regionais. No Nordeste, 29% dos entrevistados atribuem muita ou alguma influência aos líderes da igreja, acima dos 20% registrados no Sudeste e dos 14% no Sul. As margens de erro são de quatro pontos percentuais no Nordeste, três no Sudeste e seis no Sul.

A diferença entre católicos e evangélicos, no entanto, fica dentro das margens de erro. Entre evangélicos, 28% dizem que líderes de sua igreja terão muita ou alguma influência no voto. Entre católicos, o percentual é de 24%. As margens máximas são de cinco e três pontos percentuais, respectivamente.

O Datafolha também identificou diferenças entre eleitores que declaram ter votado em Lula (PT) ou em Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno de 2022. Entre os que afirmam ter votado em Lula, 41% dizem que jornalistas e pessoas da imprensa terão muita ou alguma influência na escolha deste ano. No grupo que declarou voto em Bolsonaro, o índice é de 33%. A diferença supera as margens máximas dos dois segmentos, de três e quatro pontos percentuais, respectivamente.

A pesquisa ouviu 2.004 pessoas de 16 anos ou mais em 139 municípios nos dias 22 e 23 de julho. A margem de erro para o total da amostra é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. Entre entrevistados com relacionamento estável e entre aqueles com filhos de 16 anos ou mais, a margem é de três pontos percentuais.

Na mesma rodada, Lula aparece com 48% das intenções de voto contra 43% de Flávio Bolsonaro (PL) em uma simulação de segundo turno. O cenário ficou estável em relação a junho.

A avaliação do governo também permaneceu no mesmo patamar: 38% consideram a gestão ruim ou péssima, 32% a avaliam como ótima ou boa e 28% a classificam como regular.

O Datafolha ainda mostra estabilidade no arrependimento em relação ao voto no segundo turno de 2022. Entre os entrevistados que declararam voto em Lula ou Jair Bolsonaro, 92% afirmam não se arrepender da escolha, enquanto 8% dizem ter se arrependido. O índice pouco variou desde março, período em que a parcela sem arrependimento oscilou entre 90% e 92%.

Entre eleitores de Lula, 90% dizem não se arrepender do voto, enquanto 9% afirmam o contrário. No grupo que declarou voto em Bolsonaro, 94% dizem não se arrepender, e 6% afirmam ter arrependimento.

Fonte: Brasil 247

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