terça-feira, 28 de julho de 2026

Déficit das contas externas do Brasil despenca 56% em junho com forte atração de investimentos e superávit comercial

Rombo recuou para US$ 2,3 bilhões no mês, impulsionado pelo aumento das exportações e por US$ 9,1 bilhões em investimentos estrangeiros diretos

Notas de real e de dólar, 18 de dezembro de 2024. REUTERS/Amanda Perobelli

Crédito: Amanda Perobelli/Reuters


O déficit nas contas externas do Brasil apresentou uma expressiva queda de 56% no mês de junho, totalizando US$ 2,3 bilhões. O resultado mostra uma recuperação significativa em relação ao mesmo período do ano anterior, quando as transações correntes do país haviam registrado um saldo negativo de US$ 5,2 bilhões, conforme dados do setor externo divulgados nesta terça-feira (28) pelo Banco Central (BC).

Apesar da melhoria expressiva observada no resultado mensal, o acúmulo do rombo nas contas externas do país nos últimos 12 meses atingiu a marca de US$ 61,4 bilhões.

O desempenho positivo de junho foi impulsionado fundamentalmente pelo fortalecimento da balança comercial de bens. O superávit comercial brasileiro registrou um salto significativo, alcançando R$ 8,2 bilhões no mês — um avanço expressivo na comparação com os R$ 5,2 bilhões anotados em junho do ano passado.


Esse avanço na balança comercial ajudou a compensar o saldo negativo registrado em outras frentes do setor externo. A balança de serviços, por exemplo, viu seu déficit se ampliar de R$ 4,4 bilhões em junho de 2025 para R$ 5,1 bilhões no mesmo mês deste ano. Dentro desse segmento, o saldo referente a viagens para o exterior ficou negativo em US$ 1,4 bilhão, pressionado pela maior disposição dos brasileiros em gastar no exterior, o que representou um aumento de 21% em relação ao ano passado, segundo as estatísticas da autoridade monetária.

Paralelamente, a conta de renda primária — que contempla os fluxos de remessas de lucros, dividendos, pagamentos de juros de dívidas e salários — continuou a registrar déficit, fechando o mês com um saldo negativo de US$ 6,5 bilhões, mantendo-se no mesmo patamar observado no mesmo período de 2025.

Entrada expressiva de capital estrangeiro

Pelo lado financeiro, os indicadores do Banco Central apontam para a manutenção do forte apelo do mercado nacional para o capital internacional. Os Investimentos Diretos no País (IDP) — modalidade de capital direcionada à instalação ou ampliação de fábricas, empresas e projetos estruturantes de longo prazo — atingiram US$ 9,1 bilhões em junho. O número reflete uma forte aceleração quando comparado ao montante de R$ 3,1 bilhões ingressados no mesmo período de 2025.

No horizonte acumulado de 12 meses, os investimentos diretos direcionados ao Brasil alcançaram a marca de US$ 89,3 bilhões, o equivalente a 3,58% do Produto Interno Bruto (PIB) do país. O patamar consolida uma evolução consistente frente aos US$ 68,5 bilhões contabilizados no acumulado do mês imediatamente anterior.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário