quinta-feira, 30 de julho de 2026

Cristina Kirchner recorre à Justiça Internacional para voltar ao poder

 Ex-presidente contesta condenação na ONU e busca recuperar seus direitos políticos para disputar as eleições argentinas de 2027

Cristina Fernandez de Kirchner
Crédito: AGUSTIN MARCARIAN/REUTERS

A ex-presidente Cristina Kirchner recorreu à Justiça Internacional para tentar voltar ao poder na Argentina. A dirigente peronista apresentou seu caso ao Comitê de Direitos Humanos da ONU, onde pretende contestar a condenação que a impede de ocupar cargos públicos e disputar as eleições presidenciais de 2027.

A iniciativa foi anunciada por Cristina na quarta-feira (29) e será conduzida por dois advogados estrangeiros. A defesa busca demonstrar que o julgamento do processo conhecido como “Vialidad” violou garantias previstas no direito internacional, como a independência judicial, o devido processo legal e a igualdade perante a lei.

Cristina foi condenada em 2025 a seis anos de prisão e à inabilitação permanente para exercer funções públicas. Enquanto essa decisão permanecer válida, a ex-presidente não poderá registrar uma nova candidatura na Argentina.

Em carta divulgada para anunciar o recurso, Cristina afirmou que os magistrados envolvidos no processo deverão ter suas decisões avaliadas segundo as normas internacionais de proteção aos direitos humanos.

“Perante esse Comitê [das Nações Unidas], todos os juízes argentinos que participaram do meu julgamento serão submetidos ao escrutínio do Direito Internacional dos Direitos Humanos. Ali deverão responder não perante um governo nem perante um partido político, mas perante os princípios universais de independência judicial, devido processo, igualdade perante a lei e proteção efetiva dos direitos fundamentais”, declarou.


⦾ Máximo Kirchner defende candidatura da mãe

Deputado nacional pela União pela Pátria e dirigente de La Cámpora, Máximo Kirchner confirmou que o setor do Partido Justicialista ligado à ex-presidente trabalha para viabilizar sua participação na eleição de 2027.

“Qualquer pessoa que queira ser candidata pode ser. Cristina, não”, afirmou, ao criticar a impossibilidade de a mãe disputar cargos eletivos.

O parlamentar declarou que Cristina demonstra interesse em permanecer no centro da política argentina e voltar a concorrer ao Executivo nacional.

“Nós queremos que seja Cristina. Ela está demonstrando, inclusive nessa carta que publicou e em todos os espaços, sua vontade de participar da vida política argentina”, disse.

Segundo Máximo, a perspectiva de uma nova candidatura da ex-presidente provoca reação entre os apoiadores do projeto político e econômico do governo de Javier Milei, liderado pelo partido A Liberdade Avança.

“Entendemos que ela é a pessoa mais capacitada para isso e que deu provas mais do que suficientes de ter a coragem necessária para enfrentar essa disputa e representar os interesses dos argentinos”, declarou.

O deputado acrescentou que a condenação não afeta somente Cristina, mas também a parcela do eleitorado que pretende votar nela.

“A proscrição que Cristina sofre, assim como uma parte da sociedade que deseja votar nela, marca o destino do país”, afirmou.


⦾ Recurso não busca indulto, diz deputado

Embora Cristina esteja juridicamente impedida de concorrer, Máximo sustentou que a presidente do Partido Justicialista mantém a intenção de influenciar os rumos políticos e econômicos da Argentina.

O dirigente afirmou que o objetivo do grupo não é obter um eventual indulto, mas reverter a condenação e construir condições para uma mudança de governo.

“Nosso objetivo é que os argentinos possam desenvolver suas vidas de maneira muito mais normal e organizada do que vemos hoje, em um país onde a ordem social está realmente sendo rompida e onde os desequilíbrios aprofundam cada vez mais a distância entre uns e outros na desigualdade econômica”, disse.

Máximo também utilizou os dois mandatos presidenciais de Cristina, entre 2007 e 2015, como argumento para defender sua volta à disputa eleitoral.

“Dizem isso aqueles que podem gostar mais dela e aqueles que podem gostar menos. São testemunhos constantes de que, com Cristina, as coisas não eram assim”, afirmou.

“Se existe algo que atravessa transversalmente essa questão é que a realidade econômica era muito diferente quando ela governava e quando não governava”, acrescentou.


⦾ Negociação com Axel Kicillof

A defesa da candidatura de Cristina ocorre em meio às discussões internas do peronismo sobre a estratégia para 2027. Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires, também aparece como possível nome do campo peronista para a Presidência.

Na segunda-feira (27), Máximo sinalizou disposição para negociar com Kicillof, apesar das divergências entre os grupos liderados pelos dois dirigentes.

“Todas as vezes em que me convocaram para dialogar e conversar, eu fui, mas não posso entrar em lugares sem que me convidem”, declarou.

“Estou convencido de que não estamos em lados opostos”, acrescentou o dirigente de La Cámpora.

O eventual entendimento entre os dois setores dependerá da definição sobre a situação jurídica de Cristina e da correlação de forças dentro do Partido Justicialista. Enquanto Kicillof amplia sua projeção nacional, o kirchnerismo aposta no recurso apresentado à ONU para tentar devolver à ex-presidente o direito de concorrer em 2027.

Fonte: Brasil 247

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