sábado, 18 de abril de 2026

Lula critica "os senhores da guerra" e cobra defesa do multilateralismo: "isso é o que me preocupa"

Presidente Lula critica “os senhores da guerra” e defende multilateralismo ao alertar para riscos globais e falhas da ONU

Participantes da 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia (Foto: Ricardo Stuckert)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) criticou os chamados “senhores da guerra” e defendeu o fortalecimento do multilateralismo neste sábado (18), ao alertar para os riscos do cenário internacional atual e apontar falhas no funcionamento da Organização das Nações Unidas (ONU). Durante discurso em Barcelona, Lula afirmou que o tema central de sua preocupação é a relação entre as nações e a necessidade de mudanças no sistema global.

As declarações foram feitas na 4.ª Reunião de Alto Nível do Fórum em Defesa da Democracia. No evento, o presidente abordou temas como violência contra a mulher, regulação de plataformas digitais e a necessidade de reformar a governança internacional.

Lula também destacou iniciativas internas do Brasil, como um pacto entre os três Poderes para combater o feminicídio. Segundo ele, a proposta busca responsabilizar os homens pela violência. “O que a gente quer criar é a ideia de que o problema da violência contra a mulher não é um problema da mulher, mas do homem”, afirmou. O presidente acrescentou que a mobilização envolve líderes religiosos, sindicais e movimentos sociais para ampliar o debate público sobre o tema.

No campo digital, Lula mencionou a criação do ECA Digital e defendeu maior rigor do Estado na regulação das plataformas. “Se o Estado não agir, a gente não controla as plataformas digitais - que de rede social não têm nada. É pouco social e muito ódio, muita promiscuidade, muito sexo e muita jogatina”, disse.

Ao tratar do cenário internacional, o presidente reforçou que não pretende discutir modelos de democracia nacionais, mas sim a necessidade de cooperação global. “A gente não está aqui querendo criar uma ‘Internacional’. Já tivemos cinco que não resolveram nossos problemas”, declarou.

Lula criticou diretamente o funcionamento do Conselho de Segurança da ONU, afirmando que seus membros permanentes passaram a agir de forma contrária ao objetivo original de garantir a paz. “Os cinco membros do Conselho de Segurança [...] viraram os senhores da guerra. Esse é o dado concreto”, disse.

O presidente também questionou a eficácia da ONU diante de conflitos atuais. “A ONU, que teve força para criar o Estado de Israel, não tem força sequer para manter o Estado palestino”, afirmou, apontando limitações da organização em garantir acordos internacionais.

Em outro momento, Lula criticou decisões unilaterais de grandes potências ao longo das últimas décadas. “Nenhum presidente de nenhum país, por maior que seja, tem o direito de ficar impondo regras a outros países”, disse. Ele citou intervenções militares sem aval multilateral e questionou a ausência de consultas à ONU em diversos conflitos.

O presidente ainda alertou para o aumento de tensões globais. “Esse é o momento da história de maior quantidade de conflitos armados no mundo depois da Segunda Guerra”, afirmou, destacando a falta de atuação efetiva do Conselho de Segurança.

Por fim, Lula defendeu a reforma da governança internacional, com ampliação da representatividade. “Cadê a representação africana? Cadê a participação do México e do Brasil? De uma Argentina? De uma Colômbia? Cadê a participação da Índia? Alemanha? Japão? Indonésia?”, questionou, ao cobrar mudanças na composição do órgão.

Fonte: Brasil 247

Nenhum comentário:

Postar um comentário