Governador decidiu excluir crítica do horário eleitoral em meio a divergências na campanha sobre como tratar Lula e o PT
Fernando Haddad e Tarcisio Freitas - Crédito: Felipe L. Gonçalves/Brasil247 | Alan Santos/PR
A campanha do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), retirou uma crítica ao PT de uma peça destinada ao horário eleitoral gratuito em meio a uma discussão interna sobre os riscos de adotar o antipetismo como eixo da disputa pela reeleição.
Segundo apuração do Estadão reproduzida pelo UOL nesta sexta-feira (4), a decisão de excluir o trecho partiu do próprio Tarcísio, que tem a palavra final sobre o conteúdo de sua propaganda eleitoral.
A referência ao PT aparecia nos 20 segundos finais da gravação. Antes disso, o governador destacava realizações de seu mandato e mencionava a importância da primeira-dama, Cristiane Freitas, em sua trajetória.
A mudança expõe uma divergência entre integrantes da campanha sobre a estratégia mais adequada para enfrentar a eleição estadual. Uma ala defende um discurso abertamente antipetista, enquanto outra avalia que Tarcísio deve evitar uma campanha excessivamente identificada com a polarização nacional.
⦾ Campanha debate relação com Lula e o PT
O marqueteiro Pablo Nobel está entre os defensores de uma posição mais marcada contra o PT. Outros aliados, porém, consideram que a tentativa de reeleição exige uma estratégia capaz de alcançar também eleitores que pretendem votar no presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Para esse grupo, críticas ao PT podem aparecer durante a campanha, mas deveriam estar vinculadas a temas específicos e não funcionar como elemento central da comunicação eleitoral.
A preocupação está diretamente relacionada ao comportamento registrado pelas pesquisas de intenção de voto em São Paulo. Levantamentos indicam a existência de uma parcela do eleitorado que combina apoio a Lula na disputa presidencial com preferência por Tarcísio no cenário estadual.
O fenômeno ganhou entre analistas e integrantes do meio político o apelido de voto “Tarula”, numa referência à combinação dos nomes de Tarcísio e Lula.
⦾ Pesquisa mostra Tarcísio com espaço entre eleitores de esquerda
Na pesquisa Quaest divulgada em agosto, 11% dos eleitores identificados como lulistas declararam intenção de votar em Tarcísio para o governo paulista.
O mesmo percentual, 11%, foi registrado entre entrevistados que se classificam como integrantes de uma “esquerda não lulista”. Os números ajudam a explicar a resistência de parte da campanha a transformar o confronto com o PT em principal instrumento de mobilização eleitoral.
No cenário pesquisado, o ex-ministro Fernando Haddad (PT) aparece como principal adversário de Tarcísio. O petista, entretanto, apresenta menor capacidade de atrair eleitores situados à direita de seu campo político.
Segundo os dados citados pela reportagem, Haddad recebe o apoio de 4% dos entrevistados classificados como de “direita não bolsonarista” e de 2% daqueles identificados como bolsonaristas.
⦾ Moderação busca ampliar alcance da candidatura
A retirada da crítica ao PT indica que Tarcísio, ao menos neste momento da campanha, procura preservar uma faixa do eleitorado que não reproduz automaticamente no plano estadual a divisão política da eleição presidencial.
A decisão também evidencia um desafio para sua candidatura: manter o apoio de eleitores conservadores e bolsonaristas sem afastar os paulistas que apoiam Lula, mas avaliam positivamente a administração estadual.
Com a campanha entrando no período de maior exposição no rádio e na televisão, a definição sobre o grau de confronto com o PT tende a influenciar diretamente a tentativa de Tarcísio de ampliar sua votação para além do campo tradicional da direita.
Fonte: Brasil 247 com apuração do Estadão reproduzida pelo UOL
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