Deputada acionou André Mendonça após divulgação de áudios entre Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro
A deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP) pediu ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), a apuração de novos elementos sobre a relação entre o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) e Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master.
Segundo a coluna de Mônica Bergamo, na Folha de São Paulo, o ofício foi apresentado nesta quinta-feira (3) e solicita que seja avaliada a convocação de Nikolas e de seu ex-assessor de gabinete, Thiago Faria, para depor no âmbito do inquérito relacionado ao Banco Master.
O pedido foi feito após a divulgação, pela coluna da jornalista Juliana Dal Piva no ICL Notícias, de áudios trocados entre Nikolas e Vorcaro. Nas mensagens, o deputado chama o banqueiro de “Dani” e solicita ajuda para a liberação de “um ativo de minério” que beneficiaria Faria.
De acordo com o material citado no ofício, o áudio obtido pelo ICL foi enviado em 30 de março de 2025. Na gravação, Nikolas afirma que gostaria de ter maior proximidade com Vorcaro. O banqueiro respondeu com um áudio de visualização única. Em seguida, o deputado agradeceu e encaminhou o contato de Thiago Faria.
Vorcaro encerrou a conversa com a frase: “Amém irmão. Estamos na guerra juntos”.
A parlamentar argumenta que os fatos devem ser analisados à luz das investigações já em curso. Sâmia cita que Thiago Faria teve posteriormente o nome relacionado a empresas e pessoas investigadas na Operação Rejeito, deflagrada pela Polícia Federal em 2025 para apurar um esquema de extração ilegal de minério de ferro na Serra do Curral, em Minas Gerais. Ao ICL, Faria negou irregularidades.
No ofício, Sâmia também menciona mensagens de 2024 nas quais Vorcaro teria afirmado ter bancado “todos os voos” de Nikolas. A deputada pede que esse episódio seja confrontado com informações sobre o uso, pelo parlamentar, de uma aeronave ligada ao empresário durante atividades eleitorais em 2022.
Entre as providências solicitadas ao ministro André Mendonça estão a análise das comunicações entre os envolvidos, a identificação do ativo minerário mencionado na conversa e de seus eventuais beneficiários, além da possível oitiva de Nikolas Ferreira, Daniel Vorcaro e Thiago Faria.
Sâmia também pediu que a Polícia Federal responsável pela Operação Compliance Zero seja informada dos fatos e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) avalie eventuais repercussões jurídicas do caso.
O documento afirma que o pedido não tem o objetivo de antecipar qualquer juízo de responsabilidade sobre os envolvidos, mas sustenta que os fatos revelados devem ser incorporados à investigação.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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