sexta-feira, 11 de setembro de 2026

PGR cobra abertura total de arquivos do caso Master e aponta procedimentos omitidos

 Vice-procurador-geral afirma que “grande parte” das apurações da Compliance Zero ficou fora da relação tornada pública por André Mendonça

Ministro André Mendonça, do STF, enfrenta críticas de integrantes da Polícia Federal após Daniel Vorcaro ser ouvido por seu gabinete sem a participação de investigadores da corporação - Crédito: IA

A Procuradoria-Geral da República (PGR) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) que todos os documentos e procedimentos relacionados à Operação Compliance Zero, que investiga o Banco Master, tenham o sigilo retirado, sem exceções.

O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand Filho, afirmou nesta sexta-feira (11) que “grande parte” dos procedimentos vinculados à investigação não aparece na relação de processos cujo sigilo foi levantado pelo ministro André Mendonça.

A manifestação foi enviada ao presidente do STF, Edson Fachin, que havia solicitado a Mendonça o compartilhamento dos procedimentos relacionados ao caso Master com os demais ministros da Corte e sugerido a retirada dos sigilos.

“O que se verifica, porém, da listagem encaminhada é que nela não se contêm grande parte dos procedimentos atualmente correlatos à investigação mais ampla da chamada Operação Compliance Zero, fato que, embora suponha motivado por alguma razão escusável de ordem administrativa, pode induzir à ideia equivocada de que a transparência que animou a medida proposta por V. Exa, perca, ao fim e ao cabo, o seu sentido último”, afirmou Hindenburgo.

Com isso, a PGR defendeu que a transparência alcance todas as frentes da investigação e não apenas os procedimentos já disponibilizados por Mendonça.


⦾ Sigilo parcial provoca reação dentro do STF

A forma como ocorreu a divulgação dos documentos já vinha provocando críticas dentro do Supremo. Uma ala da Corte considera que a retirada parcial dos sigilos criou um desequilíbrio ao expor determinadas frentes da investigação enquanto outras continuaram protegidas.

Entre as informações que permaneceram sob sigilo está, segundo O Globo, um relatório da Polícia Federal contendo mensagens e detalhes da relação entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Dias Toffoli. O conteúdo desse material foi revelado pela revista Piauí.

As informações sobre Toffoli passaram a ser utilizadas nos bastidores do tribunal como argumento para sustentar que as apurações sobre o Banco Master não se resumem às suspeitas envolvendo Alexandre de Moraes.

Ministros defendem, por isso, que a sessão extraordinária convocada para terça-feira (15) não trate isoladamente das referências a Moraes encontradas nas investigações.

⦾ Ministros pressionam por análise mais ampla do caso

A sessão marcada por Fachin deverá analisar a Petição 16.662, que reúne um relatório da Polícia Federal com mensagens atribuídas a Daniel Vorcaro e referências ao ministro Alexandre de Moraes.

Parte dos integrantes do STF, contudo, sustenta que o plenário deveria avaliar conjuntamente outras questões surgidas durante as investigações do Master, inclusive os questionamentos relacionados à própria condução do caso por André Mendonça.

Esse grupo entende que uma decisão definitiva apenas sobre Moraes poderia deixar sem resposta outras suspeitas e controvérsias derivadas da mesma investigação.

Também existe entre ministros a preocupação de que um pedido de vista possa interromper o julgamento previsto para terça-feira.

⦾ Questionamentos sobre Mendonça seguem sem data para julgamento


Enquanto o caso relacionado a Moraes já está pautado, documentos da Polícia Federal utilizados para levantar suspeitas de “parcialidade” e eventual crime de responsabilidade de André Mendonça ainda não têm previsão de análise pelo plenário.

Fachin indicou que deverá decidir o destino dessa frente depois de receber as informações solicitadas ao ministro.

A diferença de tratamento e de calendário entre os procedimentos tornou-se um dos principais pontos de tensão dentro do Supremo. Para integrantes da Corte, se as suspeitas envolvendo Moraes forem submetidas ao plenário, eventuais questionamentos sobre a atuação de Mendonça também deveriam ser esclarecidos antes de uma conclusão definitiva.

⦾ Fachin consulta ministros antes da sessão

Na quinta-feira (10), Edson Fachin realizou uma série de conversas individuais com ministros para discutir o rito e o formato da sessão extraordinária.

Passaram pelo gabinete da Presidência do STF Alexandre de Moraes, André Mendonça, Dias Toffoli, Luiz Fux, Kassio Nunes Marques e Cristiano Zanin. Fachin também conversou com Cármen Lúcia e recebeu o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Segundo interlocutores citados por O Globo, o presidente do Supremo ouviu as avaliações dos ministros, mas não antecipou como pretende conduzir o julgamento nem qual posição deverá adotar diante das divergências internas.

A crise ganhou novo componente agora com a manifestação da PGR, que formaliza a cobrança para que todos os procedimentos vinculados à Operação Compliance Zero sejam abertos e colocados à disposição da Corte.

Fonte: Brasil 247

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