O presidente Lula usará o pronunciamento de 7 de Setembro para reforçar a defesa da soberania brasileira e afirmar que o país não aceitará uma nova relação de dependência com potências estrangeiras. Segundo O Globo, o discurso será transmitido em cadeia de rádio e televisão na noite de domingo e terá referências indiretas às pressões comerciais dos Estados Unidos.
“Não somos, e não seremos colônia de ninguém”, dirá Lula. O presidente afirmará que o Brasil precisa permanecer “forte e altivo, sem baixar a cabeça” diante de interesses externos. A mensagem amplia uma linha que o petista vem adotando diante do governo Donald Trump e que já apareceu em manifestações anteriores sobre o tarifaço imposto pelos Estados Unidos.
O discurso associará a soberania diretamente ao controle sobre riquezas estratégicas. Lula citará as reservas brasileiras de terras raras, a água doce e a descoberta de petróleo na região da Foz do Amazonas. “Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro”, afirmará, defendendo que minerais críticos sejam transformados em tecnologia, industrialização e empregos de qualidade dentro do país, e não apenas exportados como matéria-prima.
A posição se conecta à disputa internacional pelos minerais críticos. Em março, Lula já havia afirmado que países ricos interessados nessas reservas deveriam investir e produzir localmente, dizendo que Brasil, América Latina e África não poderiam repetir uma lógica colonial de simples extração de recursos. Em agosto, o governo passou a avaliar inclusive medidas contra uma operação envolvendo a única mineradora brasileira em produção comercial de terras raras e uma companhia estadunidense, sob o argumento de que “essa riqueza é do Brasil”.

Lula também fará referência ao conflito comercial com Washington e defenderá o livre comércio, sustentando que nenhum governo estrangeiro pode determinar com quais parceiros o Brasil mantém relações econômicas. A formulação transforma o 7 de Setembro em resposta política ao tarifaço de Trump e à pressão estadunidense sobre temas considerados estratégicos pelo Planalto.
O pronunciamento ocorre durante a campanha presidencial, o que levou o governo a submeter previamente o texto à Justiça Eleitoral. O Tribunal Superior Eleitoral deu aval para a transmissão em rede nacional. A soberania já ocupa posição central na campanha de Lula, já que no programa de governo do presidente menciona o conceito 31 vezes e rejeita a submissão do Brasil a interesses estrangeiros. No discurso de domingo, essa bandeira será ligada diretamente às riquezas naturais, às relações comerciais e à ideia de que as decisões estratégicas do país devem permanecer sob controle brasileiro.
Confira a íntegra do discurso:
Minhas amigas e meus amigos,
Amanhã, 7 de setembro, é dia de celebrarmos a Independência do Brasil. Para além do grito de Dom Pedro I às margens do Ipiranga, a independência do Brasil foi uma dura conquista de homens e mulheres que deram suas vidas nas batalhas contra a tirania, a escravidão e a injustiça social. De Tiradentes, herói da Inconfidência Mineira, a Maria Quitéria, Maria Felipa e Joana Angélica, heroínas do 2 de julho da Bahia.
Defender a independência do Brasil é defender nossa soberania e nossa democracia. Mais do que nunca, é preciso lutar pelo que é nosso. Temos a segunda maior reserva de Terras Raras do mundo, e a maior fonte de água doce. No último mês, descobrimos uma nova e rica reserva de petróleo. Essas riquezas devem servir ao futuro do povo brasileiro. Foi aprovado no Congresso Nacional o marco legal que permitirá ao Brasil transformar as enormes reservas de minerais críticos e terras raras em desenvolvimento e riqueza para o povo brasileiro.
Recursos naturais que, assim como o nosso petróleo, devem ser usados para o desenvolvimento de tecnologia de ponta e gerando empregos de qualidade no Brasil.
Por isso, precisamos nos manter fortes e altivos, sem baixar a cabeça, para não deixarmos que o Brasil se transforme, novamente, em colônia de outras potências estrangeiras. Não somos e não seremos colônia de ninguém. Minhas amigas e meus amigos, um país soberano é aquele capaz de defender seu território, suas fronteiras, seu meio ambiente, suas riquezas e seu povo de quaisquer interesses estrangeiros.
Um país soberano é aquele capaz de criar as oportunidades que seu povo precisa para conquistar a própria independência. A independência financeira, a independência de poder estudar, pensar livremente, escolher a melhor profissão e o melhor emprego. Ter mais tempo para si mesmo e para sua família.
A independência de contar, como previsto na Constituição Federal, com saúde pública de qualidade e a melhor educação gratuita para seus filhos. E de viver, em um país livre da fome, da pobreza e de todas as formas de desigualdade, com mais direitos para todos, e menos privilégios. Minhas amigas e meus amigos, o Brasil trabalha pela paz mundial e a harmonia entre as nações. Defendemos o livre comércio. Nenhum país estrangeiro tem o direito de dizer de quem podemos comprar, e para quem podemos vender. Somos um país soberano, e nossas decisões pertencem a nós e a mais ninguém. Temos motivos de sobra para nos orgulharmos do nosso país. Temos a Amazônia, e uma das maiores biodiversidades do planeta. Somos exemplo na defesa do meio ambiente.
Nossa riqueza cultural encanta o mundo. Somos referência mundial em transição energética e no enfrentamento da emergência climática que ameaça o futuro da humanidade. E temos, cada um e cada uma de vocês, a consciência de que formamos, juntos, um dos povos mais admirados em todo o planeta. Um feliz Dia da Independência, e que Deus continue abençoando o Brasil.
Fonte: DCM
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