segunda-feira, 7 de setembro de 2026

Lula comanda desfile do 7 de Setembro em meio a ausências de ministros do STF

 Com presença de Fachin, Motta e Alcolumbre, cerimônia em Brasília destaca soberania e pautas sociais

Luiz Inácio Lula da Silva  -  Crédito: Reuters/Ueslei Marcelino

O presidente Lula (PT) participa, na manhã desta segunda-feira (7), do tradicional desfile comemorativo do 7 de Setembro em Brasília, acompanhado pelos chefes do Poder Judiciário e do Legislativo, além de integrantes do primeiro escalão do governo federal.

O evento conta com a presença do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin; do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP); do presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB); e do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Também integram o palanque de autoridades o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e os ministros Miriam Belchior (Casa Civil), Dario Durigan (Fazenda), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e Sidônio Palmeira (Comunicação Social).

Apesar da presença institucional do presidente da Suprema Corte, os ministros do STF tidos como o grupo de maior interlocução com o presidente da República não comparecem à cerimônia. Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin não marcam presença no desfile. Mendes e Dino alegaram compromissos fora de Brasília. O esvaziamento parcial ocorre em meio a momento de tensão no Judiciário, após um histórico de assiduidade variado: enquanto em 2024 esses mesmos magistrados participaram do desfile, em 2025 nenhum integrante do tribunal esteve presente, ocasião em que a Corte concluía o julgamento sobre os atos antidemocráticos de 2023.


 Estratégia do Planalto e temas centrais do desfile

Em busca de se distanciar dos recentes atritos no Judiciário, o presidente Lula optou por não discursar durante o evento de duas horas. A postura segue o tom adotado em pronunciamento recente gravado no Palácio do Planalto, no qual cobrou a atuação do presidente do STF e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, na condução de apurações com rigor e integridade para assegurar a estabilidade democrática e a confiança pública nas instituições.

“Diante da gravidade do momento, o povo brasileiro espera que o presidente da Suprema Corte e a Procuradoria Geral da República liderem um processo que garanta a integridade e a confiança nas investigações”, declarou o presidente.

A solenidade oficial dá centralidade a eixos estratégicos para o governo. O conceito de soberania nacional ganha destaque nas apresentações, acompanhado de pautas sociais e de saúde pública, como a valorização do público feminino, o combate ao feminicídio e a promoção da vacinação. A celebração faz menção também à Copa do Mundo Feminina de 2027, que será sediada no Brasil, com uma ala dedicada ao torneio com a participação de atletas civis e militares. Todo o planejamento do evento teve acompanhamento técnico da AGU para assegurar total conformidade com a legislação eleitoral.

 O cenário de tensão no Supremo Tribunal Federal

A ausência dos ministros reflete o ambiente diplomático delicado no STF. A crise escalou após o envio a Edson Fachin de relatórios de inteligência elaborados pela Polícia Federal que apontam supostas irregularidades e condutas referentes ao direcionamento de investigações e interferências em delações premiadas envolvendo o ministro André Mendonça. O movimento ocorreu após a divulgação de materiais relacionados ao caso Vorcaro.

Em reação aos desdobramentos, o presidente do STF afirmou em agenda oficial no Planalto que a Corte conduzirá as apurações com firmeza e observância estrita às garantias constitucionais, sem atropelos processuais.

“As instituições precisam ser preservadas, sobretudo nos momentos de maior tensão. Nenhuma autoridade está acima da Constituição. Nenhum Poder está acima da lei. Nenhum interesse circumstantial pode se sobrepor à integridade do Estado democrático de direito”, afirmou Fachin.

Diante do quadro, a presidência do STF estipulou prazo para manifestação dos ministros envolvidos, do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, visando ao esclarecimento integral dos fatos no âmbito do devido processo legal.

Fonte: Brasil 247

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