O candidato a presidência, Romeu Zema (Novo) e a jornalista Renata Vasconcelos, em sabatina pela TV Globo. Foto: Reprodução/TV Globo
Romeu Zema (Novo) repetiu uma fake news difundida pela extrema direita sobre os condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro durante a sabatina presidencial da TV Globo nesta segunda-feira (24). O candidato afirmou que uma mulher recebeu 14 anos de prisão apenas por “sujar um monumento público”.
“Uma moça que sujou um monumento público pegar 14 anos de prisão. É desproporcional”, declarou Zema. Renata Vasconcellos reagiu imediatamente e lembrou que a Justiça reconheceu crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio tombado. “Foram 1.400 condenações”, acrescentou a jornalista.
A mulher citada por Zema é Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom. Ao contrário do que sugeriu o candidato, ela não foi condenada somente por escrever “Perdeu, mané” na estátua da Justiça.
A maioria do STF a condenou por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. O processo considerou sua participação nos atos golpistas, e não apenas a marca de batom deixada na estátua.
Houve divergências sobre o tamanho da pena: Cristiano Zanin votou por 11 anos, enquanto Luiz Fux defendeu um ano e seis meses. A maioria, porém, fixou a condenação em 14 anos.
Em abril de 2026, o STF contabilizava 1.402 condenados pelos ataques às sedes dos Três Poderes. As penas variaram conforme a participação de cada réu. Zema pode questionar sua proporcionalidade, mas reduzir cinco crimes a uma simples sujeira em monumento é repetir uma mentira usada pelo bolsonarismo para transformar condenados por atos golpistas em vítimas de perseguição.
Fonte: DCM
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