terça-feira, 25 de agosto de 2026

Produtora de “Dark Horse” muda versão sobre emendas de R$ 850 mil


       Karina Ferreira Gama. Foto: Reprodução

O Instituto Conhecer Brasil (ICB), ONG comandada por Karina Ferreira Gama, produtora de “Dark Horse”, apresentou versões diferentes à Prefeitura de São Paulo sobre o uso de R$ 850 mil em emendas destinadas a dois eventos realizados em 2025. A área técnica da Secretaria Municipal de Inovação e Tecnologia (SMIT) apontou divergências, documentos ausentes, atrasos e descumprimento de obrigações, mas recomendou apenas advertências formais.

As diligências sobre os convênios começaram após a divulgação de suspeitas de irregularidades, de acordo com informações do Metrópoles. A Polícia Civil investiga se recursos de outro contrato do ICB, para instalação e manutenção de pontos de wi-fi na periferia paulistana, ajudaram a financiar “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro (PL). Nesta segunda-feira (24), o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, autorizou a Polícia Federal a acessar documentos ligados à operação.


Um dos casos envolve o Seminário Rumos da Inovação na Educação do Futuro Agora, o Riefa 2025, financiado com R$ 750 mil de emenda do vereador André Santos (Republicanos). O demonstrativo financeiro do ICB indicava a Vamoz Comunicações e Eventos, empresa de um conselheiro da entidade, como destinatária de dois pagamentos, enquanto as notas fiscais saíram em nome da Continua Educação, ligada a uma ex-assessora da Assembleia Legislativa de São Paulo.

O evento ocorreu no Campus Higienópolis da Universidade Presbiteriana Mackenzie e teve 385 participantes no encontro principal, quase todos universitários. Os workshops reuniram 16 pessoas, e a transmissão no YouTube ficou abaixo de 2 mil visualizações após mais de um ano. O ICB também não entregou relatórios de acesso e tráfego para comprovar o uso de um ambiente virtual contratado como “metaverso”.

Jim Caviezel como Bolsonaro em “Dark Horse”. Foto: reprodução

Prefeitura apontou falhas em documentos e metas do Riefa

Para justificar a meta virtual, a entidade apresentou uma captura de tela que apontava 388 visualizações no ambiente do projeto. Quando a SMIT pediu indicadores detalhados, o ICB respondeu que esses dados não existiam e sustentou que as informações visuais da própria plataforma eram a única comprovação oficial disponível.

A secretaria registrou que o ICB informou em março ter concluído a prestação de contas e disponibilizado documentos por link. A análise começou em 2 de junho, e técnicos encontraram anexos ausentes da pasta. Após cobranças, a ONG enviou documentos entre 28 e 29 de junho, mas ainda faltaram evidências sobre duas metas, entre elas a premiação prevista no projeto.

A única prova encaminhada sobre a premiação consistia em três vídeos com áudio corrompido. Em parecer, a SMIT afirmou que o histórico exigiu solicitações repetidas de documentos e esclarecimentos, atrasou a instrução do processo e dificultou a fiscalização. O órgão também registrou que a defesa reconheceu falhas operacionais internas e demora para atender às demandas da administração.

O segundo convênio bancou com R$ 100 mil o evento “Rumo da Inovação na Educação e no Mercado de Trabalho”, realizado no Instituto Social Nossa Senhora de Fátima, na zona norte da capital. Inicialmente, o ICB alegou impedimento técnico para movimentar a conta oficial e disse ter pago fornecedores com recursos próprios, sem usar a verba pública. Depois, afirmou que os fornecedores continuavam sem receber.

Fonte: DCM com informações do Metrópoles

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