segunda-feira, 20 de julho de 2026

Tarifaço de Trump vira foco da disputa entre Tarcísio e Haddad em São Paulo

 Ex-ministro da Fazenda critica postura do governador paulista diante das sobretaxas norte-americanas e transforma debate comercial em pauta central das eleições no estado

Fernando Haddad (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil) e Tarcísio de Freitas
Crédito: Gerado por IA

O anúncio de uma tarifa adicional de 25% imposta pelo governo de Donald Trump, dos Estados Unidos, sobre produtos brasileiros transformou a política externa em uma das pautas centrais da disputa eleitoral pelo governo do estado de São Paulo. A medida econômica acabou acirrando os embates entre o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT) e o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos pré-candidatos ao Palácio dos Bandeirantes, e provocou a nacionalização das discussões no estado mais industrializado do país, relata o Metrópoles.

Desde abril de 2025, os anúncios de sobretaxas contra o Brasil por parte da administração norte-americana vêm alimentando debates nas esferas estadual e federal. Enquanto o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) exploram o tema na pré-campanha presidencial, o impacto direto na cadeia produtiva paulista fez do assunto um trunfo de atração de votos e acusações mútuas em São Paulo.

A oposição aponta contradições na postura adotada por Tarcísio de Freitas em relação ao governo de Washington. Em 2025, quando ainda figurava como cotado para a corrida presidencial, o governador paulista usou o boné com o slogan “MAGA” ao parabenizar Trump e fez acenos que agradavam à base bolsonarista, chegando a classificar uma das rodadas iniciais de tarifas como uma “oportunidade de negócio”. Naquele período, Tarcísio chegou a atuar em conversas com o encarregado de negócios dos EUA, Gabriel Escobar, cobrou um telefonema do presidente Lula ao líder republicano e defendeu publicamente que as negociações do Brasil entregassem triunfos ao presidente norte-americano: “Por que não entregar alguma vitória para ele”, questionou na época perante investidores.

A alteração do tom discursivo ocorreu quando o governador consolidou seu projeto de buscar a reeleição em São Paulo. Em junho, Tarcísio declarou que o “tarifaço” “não faz sentido”, alinhando-se à defesa dos interesses produtivos paulistas. Contudo, após o novo anúncio de tarifação adicional nesta semana, o Palácio dos Bandeirantes evitou manifestações formais. A conduta anterior virou alvo da artilharia petista e de aliados. A pré-candidata ao Senado pela Rede, Marina Silva, cobrou explicações ao afirmar que o governador “tem que se explicar por que botou o chapéu do adversário e por que que é amigo de quem é inimigo do povo brasileiro”. Na mesma linha, Fernando Haddad instou o adversário a fazer uma retratação pública: “Olha, eu espero que Tarcísio reavalie a sua posição de apoio ao governo dos Estados Unidos”, declarou.

O entorno do governador nega a existência de vínculo entre as manifestações políticas passadas e o cenário econômico atual. Um integrante da pré-campanha de Tarcísio, sob condição de anonimato, sustentou que o adversário tenta nacionalizar o debate indevidamente. “‘Ah, o governador vestiu o boné’. Isso não tem nada a ver com o tarifaço. Do ponto de vista político, em qualquer análise que a gente fez, não há uma conexão do tarifaço com o governador Tarcísio, ainda que ele apoie o Flávio [Bolsonaro]”, pontuou o aliado.

Apesar do esforço da oposição em ligar as sobretaxas ao clã Bolsonaro — inclusive lembrando declarações passadas de Eduardo Bolsonaro celebrando retaliações —, integrantes da pré-campanha de Haddad justificam que o tema precisa ocupar o centro do debate porque São Paulo é a unidade federativa mais atingida pelas barreiras. O ex-ministro da Fazenda reuniu-se com lideranças da indústria sucroenergética e relembrou as articulações da gestão federal para a aprovação da Medida Provisória do Plano Brasil Soberano, criada para criar mecanismos de proteção ao setor exportador, linhas de crédito e financiamentos de salvaguarda contra contestações internacionais.

Dados apresentados por entidades setoriais confirmam o peso da medida sobre o parque fabril e o agronegócio de São Paulo. Conforme projeções da Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), o novo lote de tarifação afeta negativamente US$ 11 bilhões em exportações, impondo entraves severos de acesso ao mercado norte-americano. O impacto atinge polos industriais estratégicos no estado, com perdas projetadas para os municípios de Sorocaba, Campinas, Franca, Birigui, além de regiões produtoras do Grande ABC e do Vale do Paraíba. Cálculos do presidente da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil), Laudemir Müller, apontam que a economia paulista pode deixar de movimentar cerca de US$ 3 bilhões devido ao bloqueio comercial.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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