quinta-feira, 23 de julho de 2026

Receita cobra laudos da PF sobre joias sauditas de Bolsonaro para apurar infrações aduaneiras

Órgão aponta urgência no envio dos documentos ao STF para evitar perda do prazo de punição fiscal sobre acervo avaliado em R$ 6,8 milhões

Jair Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e joias
Crédito: ABR | Reprodução

A Receita Federal solicitou formalmente que a Polícia Federal (PF) compartilhe os laudos periciais e demais documentos técnicos elaborados no âmbito do inquérito que analisa o acervo de joias sauditas recebidas por Jair Bolsonaro (PL), informa a CNN Brasil.

O requerimento do órgão de fiscalização e controle aduaneiro foi encaminhado diretamente ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Na petição, a Receita sustenta a necessidade de acesso ao material para a condução dos procedimentos fiscais cabíveis.

“Tal medida é imprescindível para a instrução do procedimento administrativo fiscal, viabilizando a análise de eventuais infrações à legislação aduaneira e assegurando o resguardo do interesse público”, destacou a Receita Federal na petição encaminhada ao STF.

⦾ Risco de caducidade e prazo decadencial

O Fisco enfatizou a urgência do pedido em razão do iminente encerramento do prazo decadencial — período limite de cinco anos estipulado por lei para que a administração pública possa aplicar sanções e penalidades por eventuais descumprimentos das normas fiscais e aduaneiras. O prazo final para essa atuação se esgota no mês de outubro.

“A urgência no compartilhamento dos laudos periciais e demais documentos produzidos que revelem as especificações e valorações técnicas dos bens é, portanto, medida de rigor para viabilizar a atuação da administração e evitar o perecimento do direito estatal, em atendimento ao interesse público”, argumentou a instituição ao solicitar a documentação que especifica e avalia o montante dos bens.

⦾ Histórico da investigação e esfera criminal

O caso remonta às investigações conduzidas pela Polícia Federal, que indiciou Jair Bolsonaro em 2024 pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e apropriação de bens públicos. O relatório da corporação apontou que teria havido uma tentativa de vender o acervo de joias presenteado pelo governo da Arábia Saudita em território norte-americano, visando o enriquecimento ilícito do ex-mandatário. O valor estimado das operações alcança cerca de R$ 6,8 milhões.

Em março, contudo, a Procuradoria-Geral da República (PGR) manifestou-se pelo arquivamento da apuração na esfera penal. O procurador-geral Paulo Gonet sustentou que a ausência de uma legislação clara e inequívoca para regulamentar a guarda e destinação desses bens impede a responsabilização criminal dos envolvidos, diante da presença de lacunas legislativas e divergências de interpretação jurídica sobre o que constituiria conduta lícita ou ilícita.

Na ocasião, Gonet ressaltou expressamente que o parecer do Ministério Público Federal se restringia ao âmbito estritamente penal, sem prejuízo para a apuração de eventuais responsabilidades em outras instâncias jurídicas, como nas esferas administrativa, cível ou fiscal.

⦾ Decisão do TCU e transferência da custódia

Também no mês de março, o Tribunal de Contas da União (TCU) firmou o entendimento de que itens declarados como de uso pessoal recebidos por presidentes e vice-presidentes da República não integram o patrimônio público da União, podendo permanecer sob posse dos ocupantes dos cargos após o término dos mandatos.

Apesar das discussões jurídicas, o ministro Alexandre de Moraes atendeu, no início deste mês, a um pedido formulado pela própria Receita Federal — que contou com parecer favorável da Procuradoria-Geral da República — e determinou a mudança na custódia das joias. O magistrado ordenou a transferência dos artigos de luxo, presenteados pela Arábia Saudita ao ex-presidente e à ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, das dependências de uma agência da Caixa Econômica Federal para a Alfândega do Aeroporto Internacional de São Paulo, onde permanecem sob guarda aduaneira.

Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil

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