domingo, 19 de julho de 2026

Mulher do vice de Tarcísio vê patrimônio crescer 580% e declara empresa no Panamá


Felicio Ramuth e Vanessa Ramuth no Sambódromo do Anhembi. Foto: Reprodução

O patrimônio declarado da empresária Vanessa Ramuth, mulher do vice-governador de São Paulo, Felicio Ramuth (MDB), passou de R$ 2 milhões em janeiro de 2023 para R$ 13,6 milhões ao fim de 2025, uma alta de 580% desde a posse dele ao lado do governador Tarcísio de Freitas (Republicanos). Com informações de Folha de S.Paulo.

Na declaração apresentada no início do governo estadual, Vanessa listava uma casa avaliada em R$ 325 mil, créditos de R$ 1,6 milhão a receber de sua própria empresa, R$ 7 mil em títulos e R$ 91 em conta bancária.

Em 2025, a composição do patrimônio mudou. A empresária declarou R$ 2,3 milhões em investimentos bancários, um crédito de R$ 850 mil a receber do próprio marido e R$ 9,6 milhões em participação na Visio Panamá Corporation S.A., empresa registrada no Panamá.

A maior renda atribuída a Vanessa vem da Direct Serviços Digitais e Sistemas, uma empresa de software sem funcionários, com capital social de R$ 5 mil e endereço em um coworking em Barueri, na Grande São Paulo. A Direct recebe recursos da A.L.A de Oliveira Sistemas e da CSJ Consultoria, companhias que atuam em contratos públicos na área de sistemas para coleta de lixo.

Notas fiscais apontam repasses mensais após a posse

Um conjunto de 41 notas fiscais mostra que, antes da eleição estadual, A.L.A e CSJ fizeram oito pagamentos esporádicos à Direct entre 2021 e 2022, em valores de R$ 71 mil a R$ 307 mil, totalizando R$ 2 milhões. Depois da posse de Ramuth como vice-governador, as transferências passaram a ocorrer praticamente todos os meses, com valores entre R$ 204 mil e R$ 695 mil.

A A.L.A fez repasses até setembro de 2024. A partir do mês seguinte, a CSJ passou a fazer os pagamentos mensais. De 2023 a 2025, as duas empresas transferiram R$ 10,3 milhões à Direct; em 2026, a CSJ desembolsou mais R$ 1,5 milhão.

As duas companhias pertencem ao grupo empresarial da família de Angelo de Oliveira, que já integrou a sociedade da Direct com Felicio Ramuth. O vice-governador também prestou consultoria à CSJ antes de entrar na política, e as empresas têm sede em São José dos Campos, cidade administrada por ele entre 2017 e 2022.

A Direct pertence atualmente apenas a Vanessa Ramuth, mas sua origem envolve o núcleo familiar do vice-governador. A empresa nasceu em 2011 com Felicio Ramuth, seu pai, Edson Ramuth, e Angelo de Oliveira, fundador do grupo que hoje controla a CSJ e a A.L.A.

Edifício Matarazzo, sede da prefeitura de São Paulo — Foto: Guilherme Cunha / SMTUR

Contratos públicos e respostas dos envolvidos

A CSJ mantém contratos com a Prefeitura de São Paulo desde 2020, quando venceu licitação da então Autoridade Municipal de Limpeza Urbana para fornecer sistema de gestão e rastreabilidade de resíduos sólidos. Em 2025, a empresa assinou contrato de R$ 1,6 milhão com a SP Regula e, seis meses depois, venceu licitação de R$ 22,2 milhões para implantação, evolução e suporte do sistema de gestão de resíduos sólidos, com vigência até 2030.

A CSJ também mantém contratos com prefeituras como Jundiaí, Campo Grande e Praia Grande, além de empresas que operam concessões públicas de limpeza urbana. A A.L.A presta serviços para concessionárias da limpeza urbana da capital paulista, entre elas Lurb Ambiental, Locat, SP Urbano e Consórcio Paulista de Limpeza Urbana, e para clientes privados como Positivo e Sky.

Ramuth afirmou que a remuneração recebida pela empresa de Vanessa decorre de direitos sobre tecnologia desenvolvida desde 2016, antes de qualquer mandato eletivo dele, “com as devidas notas fiscais emitidas e com tributação regular e à disposição dos órgãos de controle”. Ele disse que advogados o orientaram a não apresentar o contrato que define os repasses entre as empresas e declarou que a Direct não tem contratos com o poder público.

Sobre a empresa no Panamá, o vice-governador afirmou que a estrutura de investimento de Vanessa no exterior está declarada à Receita Federal e ao Banco Central e se destina exclusivamente a investimentos. Em nota assinada por Jesus Angelo, diretor-geral da CSJ, a empresa declarou: “Por política de governança e confidencialidade comercial, não divulgamos nem comentamos publicamente informações relacionadas às relações contratuais, comerciais ou financeiras mantidas entre nossas empresas, clientes e fornecedores”.

Fonte: DCM Com informações de Folha de S.Paulo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário