domingo, 19 de julho de 2026

Lula escala Tebet para apresentar reação do governo ao tarifaço dos EUA ao setor de etanol

Pré-candidata ao Senado se reuniu com representantes do setor na semana passada

Lula | Simone Tebet
Crédito: Ricardo Stuckert/PR | Audiovisual/ PR

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva designou a ex-ministra do Planejamento e Orçamento, Simone Tebet (PSB), para apresentar ao setor sucroenergético as medidas adotadas pelo governo federal em resposta ao aumento das tarifas impostas pelos Estados Unidos sobre produtos brasileiros, incluindo o etanol. A informação foi publicada pela coluna Painel, da Folha de São Paulo.

A estratégia busca dialogar diretamente com empresários de um dos segmentos mais afetados pelo tarifaço anunciado pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Segundo a publicação, Tebet também tem desempenhado um papel político na aproximação com o eleitorado do interior paulista, especialmente em regiões ligadas à produção de etanol.

Simone Tebet percorreu municípios da região de São José do Rio Preto ao lado de integrantes da chapa de esquerda e participou de um almoço com representantes do setor sucroenergético. Durante os encontros, a pré-candidata ao Senado apresentou os cálculos do governo para demonstrar que o impacto da nova política de combustíveis pode compensar as perdas provocadas pelas tarifas norte-americanas.

O principal argumento da equipe econômica é que a decisão de elevar de 30% para 32% a mistura de etanol anidro na gasolina deverá ampliar significativamente o consumo do biocombustível no mercado interno. A medida foi adotada para evitar aumentos no preço da gasolina em meio às pressões internacionais decorrentes da guerra entre Irã e Israel.

De acordo com os números apresentados por Tebet, a sobretaxa imposta pelos Estados Unidos pode reduzir em cerca de 250 milhões de litros por ano as exportações brasileiras de etanol para o mercado norte-americano. Em contrapartida, a elevação da participação do biocombustível na gasolina poderá gerar uma demanda adicional de aproximadamente 1 bilhão de litros por ano no mercado doméstico — volume quatro vezes superior à perda estimada nas vendas externas.

Além da defesa técnica das medidas, a presença de Simone Tebet integra a estratégia política da campanha à reeleição de Lula. A avaliação de aliados é que a ministra possui maior capacidade de diálogo com setores do agronegócio e do empresariado paulista.

O coordenador da campanha de Lula, o advogado Marco Aurélio de Carvalho, destacou esse papel ao afirmar: “A campanha petista considera Simone um trunfo com esse eleitorado. Ela consegue quebrar resistência, recuperar um voto que o partido tinha e eventualmente perdeu e conseguir voto que não teria.”

A iniciativa ocorre em um momento de intensificação das ações do governo para reduzir os impactos econômicos do tarifaço anunciado pelos Estados Unidos, buscando fortalecer o mercado interno e minimizar os efeitos sobre cadeias produtivas estratégicas, como a do setor sucroenergético.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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