Deputada rebate ataque à Lei Maria da Penha e acusa senador de misoginia, submissão aos EUA e atuação contra trabalhadores
A deputada federal Jandira Feghali (PCdoB-RJ) lançou uma dura crítica a Flávio Bolsonaro após o senador desqualificar a Lei Maria da Penha. Na manifestação que serve de fonte para esta reportagem, a parlamentar atribuiu ao político uma postura misógina, alinhada aos interesses dos Estados Unidos e contrária aos direitos das mulheres e dos trabalhadores.
Conforme destacou Jandira no instagram, o senador chamou a legislação de “um pedaço de papel” e afirmou que ela “não serve a ninguém”. Relatora do projeto que deu origem à norma, a deputada reagiu ao comentário e defendeu o impacto da lei no sistema de proteção às vítimas de violência doméstica.
“Você disse que a Lei Maria da Penha é um pedaço de papel e que não serve a ninguém. Eu quero lhe dizer que essa lei foi construída ouvindo mulheres do Brasil inteiro. Essa lei mudou o sistema de justiça”, afirmou Jandira.
A parlamentar destacou que o Congresso elaborou a legislação após ouvir mulheres de diferentes regiões do país. Segundo ela, o texto reuniu dispositivos presentes na Constituição, nos códigos Civil e Penal e nos estatutos voltados à proteção de crianças, adolescentes e idosos.
Jandira também ressaltou que o Supremo Tribunal Federal reconheceu a constitucionalidade da norma e citou o destaque internacional que a legislação recebeu no combate à violência de gênero. “E a ONU considera uma das melhores três leis do mundo”, declarou.
O então presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei nº 11.340 em 7 de agosto de 2006. A norma criou mecanismos para prevenir e punir a violência doméstica e familiar contra as mulheres, além de estabelecer medidas protetivas de urgência e ampliar a atuação do sistema de Justiça nesses casos.
☉ Jandira destaca impacto da Lei Maria da Penha
Ao defender a legislação, Jandira afirmou que a aplicação das medidas previstas no texto já impediu mortes e fortaleceu a rede de acolhimento às vítimas.
“Já está provado cientificamente que esta lei, onde ela é aplicada, ela salva vidas, como já salvou milhares de vidas no Brasil”, disse.
A deputada cobrou respeito às mulheres que participaram da formulação da norma, às parlamentares que conduziram o debate no Congresso e às organizações que atuaram pela criação de uma política nacional contra a violência doméstica. “Você nos respeite, respeite as mulheres, respeite o nosso trabalho”, declarou.
Na sequência, Jandira direcionou a crítica à trajetória parlamentar de Flávio Bolsonaro. O senador do PL representa o Rio de Janeiro desde 2019 e cumpre mandato previsto até 2027, segundo o Senado Federal.
A deputada questionou a produção legislativa do adversário e classificou a atuação dele no Senado como irrelevante para a população.
“Porque você, como senador, é um zero à esquerda. Você nunca fez uma lei em benefício nem das mulheres, nem de ninguém do povo brasileiro”, afirmou.
☉ Viagem aos Estados Unidos entra no confronto
Jandira também criticou a aproximação de Flávio Bolsonaro com autoridades e setores políticos dos Estados Unidos. A parlamentar acusou o senador de colocar interesses estrangeiros acima da soberania brasileira.
O Senado registrou uma missão oficial de Flávio Bolsonaro a Washington entre 4 e 8 de julho de 2026. A agenda envolveu a investigação da Seção 301 conduzida pela Comissão de Comércio Internacional dos Estados Unidos.
Na declaração, Jandira associou essa atuação internacional a uma postura de submissão política e acusou Flávio de agir contra os interesses nacionais. A deputada também o chamou de “traidor da nossa Pátria” e “misógino”.
A parlamentar ampliou o ataque ao mencionar propostas em debate no Congresso relacionadas à jornada de trabalho e à proteção de congressistas contra investigações judiciais.
“Assinou uma PEC contra o fim da escala seis por um e ainda apoiou a PEC da blindagem ou da bandidagem. Você é isso”, declarou.
☉ Armas e violência contra mulheres
Jandira também vinculou as posições de Flávio Bolsonaro sobre armas de fogo ao aumento dos riscos enfrentados por mulheres em ambientes domésticos. Ela acusou o senador de apoiar políticas que ampliam o acesso da população ao armamento. “Você apoia a distribuição de armas e isso aumenta os feminicídios”, afirmou.
A deputada ainda citou homenagens concedidas por Flávio durante sua trajetória política e o acusou de reverenciar pessoas ligadas ao chamado Escritório do Crime. Todas essas afirmações partiram de Jandira. O material que originou a reportagem não inclui uma resposta do senador às acusações.
Ao concluir o pronunciamento, Jandira relacionou a defesa da Lei Maria da Penha à luta pela democracia, pela soberania nacional e pelo direito das mulheres à vida e à liberdade.
“Nós vamos continuar aqui na luta pela soberania do Brasil, pela democracia, pela vida das mulheres. Porque nem o Brasil é quintal de ninguém e nem as mulheres são propriedade de ninguém”, disse.
A parlamentar encerrou a manifestação com uma cobrança direta pela aplicação da legislação em todo o país. “Chega de feminicídio. Cumpra-se a Lei Maria da Penha. Nos respeite e se coloque no seu lugar”.
Fonte: Brasil 247
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