Documentos fiscais envolvem companhias relacionadas ao grupo do Banco Master; defesa nega qualquer vínculo com o banco
Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado/ Banco Master/Divulgação/Montagem/IA- Dall E
O escritório de advocacia do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL) emitiu três notas fiscais que somam R$ 1,5 milhão supostamente em favor de empresas ligadas à estrutura empresarial associada ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. Segundo reportagem publicada pelo Metrópoles, nesta quarta-feira (22), duas dessas notas, no valor total de R$ 1 milhão, foram posteriormente canceladas, enquanto uma terceira, de R$ 500 mil, permaneceu registrada sem cancelamento.
De acordo com a apuração do jornalista Tácio Lorran, os documentos reforçam a existência de conexões comerciais entre Flávio Bolsonaro e empresas que integrariam a rede societária ligada ao Master, em meio às investigações envolvendo o caso conhecido como Dark Horse. Até então, era público que Vorcaro havia financiado o filme sobre Jair Bolsonaro, pai do senador.
As duas primeiras notas fiscais foram emitidas em 7 de abril de 2025, cada uma no valor de R$ 500 mil, em nome da Copenhagen Consultoria e Assessoria S.A., com a descrição de prestação de serviços de consultoria jurídica. Ambas acabaram canceladas na mesma data.
Dois dias depois, em 9 de abril de 2025, o escritório de Flávio Bolsonaro emitiu uma terceira nota, também de R$ 500 mil, desta vez para a Contábil Correa, sem registro de cancelamento.
☉ Empresas compartilham ligação por meio de contador
As duas empresas têm como elo o contador Rogério Lourenço Novo. Na Receita Federal, ele aparece como diretor responsável da Copenhagen e também figura como único sócio da Contábil Correa.
A Copenhagen não possui sede própria nem página na internet. Seu endereço cadastrado na Receita Federal corresponde ao mesmo da Contábil Correa, em um edifício comercial localizado em São Caetano do Sul (SP).
A reportagem também lembra que Rogério Lourenço Novo foi investigado pela Polícia Federal por suposta participação em um esquema de emissão de notas fiscais falsas entre 2013 e 2015, voltado à evasão tributária. À época, a fraude foi estimada em mais de R$ 100 milhões.
☉ Copenhagen recebeu R$ 58 milhões do Banco Master
Criada em novembro de 2024 com capital social de apenas R$ 40, a Copenhagen tornou-se uma das dez empresas que mais receberam recursos do Banco Master, segundo a reportagem. Daniel Vorcaro supostamente teria depositado R$ 58 milhões na empresa. Os primeiros aportes, de R$ 11,2 milhões, ocorreram logo após sua constituição.
No papel, a Copenhagen pertence ao Fundo Estônia, administrado pela Trustee DTVM. Conforme a reportagem, a gestora é investigada pela Polícia Federal por suspeita de movimentar e supostamente ocultar patrimônio ligado ao grupo empresarial de Vorcaro.
☉ Flávio Bolsonaro nega relação com Master
Em nota reproduzida integralmente pelo Metrópoles, Flávio Bolsonaro afirmou que seu escritório firmou contrato de prestação de serviços jurídicos com a BR Global, nome fantasia da Contábil Correa, empresa que, segundo ele, atende mais de 200 clientes.
O senador declarou que a Copenhagen foi apresentada como possível cliente, mas que a contratação não se concretizou.
“Firmei contrato de prestação de serviços de assessoria jurídica com a BR Global, nome fantasia da Contabil Correa Contabilidade e Auditoria Ltda., empresa de contabilidade e auditoria que atende mais de 200 empresas e clientes em São Paulo.”
Sobre as notas canceladas, afirmou: “Em determinada ocasião, fui consultado sobre a possibilidade de prestar serviços a uma cliente da BR Global, a Copenhagen Assessoria. Apesar da consulta, a contratação não avançou, não tendo o meu escritório recebido qualquer valor da Copenhagen Assessoria, razão pela qual as notas fiscais foram cancelas.”
Flávio também negou conhecer qualquer vínculo entre as empresas e o Banco Master. “Não tenho e jamais tive conhecimento de qualquer relação ou vinculação entre a BR Global ou a Copenhagen e o Master. Qualquer tentativa de me associar a este banco é capciosa, desprovida de qualquer fundamento fático e será tratada com as medidas judiciais cabíveis, nas esferas cível e criminal, contra quem lhe der causa.”
Na mesma manifestação, o senador afirmou ainda: “Por fim, como não sou investigado e meus dados são sigilosos, não poderiam estar em nenhuma investigação formal. Recai a suspeita de que órgãos governamentais, com fins eleitoreiros, tenham vazado dados protegidos por sigilo fiscal à imprensa. Conduta gravíssima, ilegal que será objeto de representação aos órgãos competentes para responsabilização dos autores.”
☉ Contador confirma contratação do escritório
Ao Metrópoles, Rogério Lourenço Novo afirmou ser proprietário da Copenhagen desde setembro de 2025 e confirmou ter contratado o escritório de Flávio Bolsonaro para prestar serviços jurídicos aos clientes de sua empresa de contabilidade, em um modelo que classificou como “quarteirização”.
Questionado sobre quais clientes receberam esses serviços e quais atividades foram realizadas, Rogério disse possuir mais de 200 clientes e afirmou não se lembrar dos detalhes. Segundo a reportagem, ele pediu prazo para levantar as informações, mas não retornou o contato.
Já a Trustee DTVM declarou ao Metrópoles que não exercia ingerência sobre as relações comerciais da Copenhagen nem sobre pagamentos ou negociações envolvendo a empresa e o Banco Master para ocultação patrimonial.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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