Decisão do pré-candidato contrasta com operação de R$ 95 milhões preparada pela Polícia Federal para reduzir riscos à integridade dos presidenciáveis e à normalidade da disputa eleitoral
A decisão do senador Flávio Bolsonaro (PL) de abrir mão da segurança oferecida pela Polícia Federal durante a campanha presidencial de 2026 coloca em evidência um debate que vai além da escolha individual de um candidato: o equilíbrio entre a autonomia dos presidenciáveis e a responsabilidade do Estado de preservar a segurança dos concorrentes e a integridade do processo democrático. As informações foram publicadas pelo Estadão, reproduzidas pelo UOL.
A manifestação de Flávio ocorre justamente quando a Polícia Federal conclui uma ampla operação de proteção aos candidatos à Presidência da República. O esquema começa na segunda-feira (20) e foi estruturado para responder aos riscos inerentes a uma campanha nacional, marcada por grandes deslocamentos, eventos públicos e elevado grau de exposição.
Ao anunciar sua decisão, o senador defendeu que os policiais que seriam destacados para sua proteção sejam deslocados para investigações sobre as fraudes contra aposentados e pensionistas do INSS.
“Peço que os servidores da PF que estariam à minha disposição sejam destinados, imediatamente, para a investigação do roubo dos aposentados do INSS. Se a desculpa oficial do chefe da PF para não investigar Lulinha ” acusado de receber mensalinho do Careca do INSS ” foi a falta de efetivo, quero dar a minha contribuição para que o dinheiro roubado no governo Lula seja devolvido aos aposentados”, afirmou.
⦾ Segurança dos candidatos é considerada política de Estado
A opção anunciada por Flávio contrasta com a estratégia adotada pela Polícia Federal para as eleições de 2026. O plano prevê uma estrutura permanente de proteção aos candidatos à Presidência, independentemente de suas posições políticas, tendo como objetivo reduzir riscos decorrentes da intensa exposição pública durante a campanha.
A corporação informou que poderá mobilizar até 458 servidores, além de veículos blindados, equipamentos antidrone e kits de vistoria antibomba. O orçamento estimado para a operação é de R$ 95 milhões.
A proteção poderá ser disponibilizada após a homologação das candidaturas nas convenções partidárias e mediante solicitação formal das respectivas campanhas.
⦾ Exposição pública amplia riscos durante a campanha
Campanhas presidenciais envolvem dezenas de viagens, caminhadas, comícios e eventos com grande concentração de pessoas, circunstâncias que elevam o grau de vulnerabilidade dos candidatos. Por essa razão, a segurança institucional não é concebida apenas como uma medida de proteção pessoal, mas também como instrumento de prevenção de incidentes capazes de afetar o processo eleitoral.
A própria declaração de Flávio ocorre após meses em que o senador passou a comparecer a compromissos públicos acompanhado por seguranças e utilizando colete à prova de balas, evidenciando que sua equipe já vinha adotando medidas preventivas.
Caso a dispensa da estrutura federal seja efetivada, a responsabilidade pela proteção do candidato tende a depender de outros mecanismos de segurança eventualmente adotados por sua campanha.
⦾ PF promete tratamento igual a todos os presidenciáveis
Segundo a Polícia Federal, o esquema foi dimensionado para atender simultaneamente até dez candidaturas à Presidência da República.
As equipes atuarão em todos os Estados, acompanhando permanentemente as agendas dos candidatos. A corporação afirma que aplicará critérios técnicos uniformes para todas as campanhas, definindo o efetivo e os recursos destinados a cada presidenciável de acordo com avaliações individuais de risco.
As convenções partidárias têm início na segunda-feira (20) e os registros de candidatura poderão ser apresentados à Justiça Eleitoral até 15 de agosto.
Embora a escolha de aceitar ou não a proteção seja uma decisão das campanhas, a existência da operação da Polícia Federal reflete a preocupação institucional em minimizar riscos que possam atingir não apenas os candidatos, mas também a normalidade e a segurança da disputa presidencial.
Fonte: Brasil 247 com informações publicadas pelo Estadão, reproduzidas pelo UOL.
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