Ação pede a suspensão da concessionária Trivia Trens, o retorno da CPTM, indenização às vítimas de incêndio e apuração de riscos à população
Passageiros andam nas linhas de trem da Trivia na região da estação Brás na manhã desta quinta-feira (23). (Crédito: Reprodução TV Globo)
A deputada federal Erika Hilton (PSOL-SP) e a pré-candidata a deputada estadual Sofia Favero acionaram o Ministério Público de São Paulo para pedir a suspensão imediata da privatização das linhas 11-Coral, 12-Safira e 13-Jade do sistema de trens metropolitanos. A medida jurídica reage ao caos operacional e a acidentes graves registrados logo no início da gestão privada no transporte paulista.
O acionamento do órgão fiscalizador ocorre após a confirmação de uma pane elétrica seguida por um incêndio em um dos vagões na manhã desta quinta-feira (23), marcando o terceiro dia seguido de transtornos desde que a concessionária Trivia Trens assumiu a operação oficial das linhas, ocorrida na última terça-feira (21).
Segundo a postagem divulgada por Sofia Favero e repostada por Erika Hilton, a representação junto ao MP exige a interrupção emergencial do contrato de concessão, a devolução da gestão dos trechos à Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) e o ressarcimento aos passageiros afetados pelo incêndio.
“Eu e a deputada Erika Hilton estamos acionando o Ministério Público e pedindo a suspensão imediata da privatização das linhas Coral, Safira e Jade. É inaceitável que, em apenas três dias de privatização, o caos seja instaurado. Que um trem pegue fogo com os passageiros dentro. Mas, infelizmente, a gestão Tarcísio de Freitas só pensa em vender o patrimônio do nosso povo. Nem que, pra isso se concretizar, vidas sejam colocadas em risco”, manifestaram na publicação.
Três dias de concessão e incêndio no sistema
A crise no transporte sobre trilhos se aprofundou por volta das 05h25 desta quinta-feira, quando um trem pegou fogo na parte superior na região da estação Bresser-Mooca. De acordo com a própria concessionária Trivia Trens, a falha na composição gerou uma ocorrência elétrica entre as estações Tatuapé e Brás por volta das 05h40, provocando o desligamento automático das subestações de energia que alimentam os três ramais.
O incidente causou a interrupção total do fornecimento de energia no trecho compreendido entre as estações Brás e Engenheiro Goulart. Diante do colapso no atendimento e da fumaça, centenas de passageiros foram forçados a desembarcar dos vagões e caminhar pelas vias e trilhos em busca de segurança.
Para Favero, a conduta do governo estadual e da concessionária coloca em risco direto a vida da população em nome de interesses financeiros.
“Por isso, é hora da justiça agir. É hora do povo paulista ser ouvido, respeitado e parar de ser humilhado por quem só pensa em explorá-lo. Além da suspensão imediata da privatização e da volta da CPTM ao comando das linhas, estamos pedindo que as pessoas prejudicadas pelo incêndio na manhã de hoje sejam indenizadas. Não podemos tolerar que, em nome do lucro privado, a população, os trabalhadores, as empresas e o próprio funcionamento da metrópole de São Paulo sejam feitos de reféns pela Trivia Trens dentro de um vagão em chamas”, conclui a postagem.
A representação protocolada junta imagens e relatos dos passageiros que presenciaram as chamas e o desespero nas vias para embasar o pedido de intervenção judicial na concessão da malha ferroviária.
Fonte: Brasil 247
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