sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

Soraya Thronicke: “eu não fiquei feliz com o sorteio do Ministro André Mendonça”

Senadora questiona imparcialidade do relator em caso ligado ao Banco Master e defende declaração de suspeição para evitar dúvidas sobre o processo

        Senadora Soraya Thronicke (Foto: Lula Marques/Agência Brasil)

A senadora Soraya Thronicke afirmou que recebeu com preocupação o sorteio do ministro André Mendonça para relatar temas relacionados ao caso do Banco Master. Em entrevista ao programa Bom Dia 247, ela disse que a escolha pode comprometer a credibilidade do processo, diante de possíveis vínculos do magistrado com pessoas envolvidas nas investigações.


A parlamentar declarou que sua avaliação não tem caráter pessoal, mas institucional. “Eu não fiquei feliz com esse sorteio do ministro André. Não fiquei, não, com todo respeito a ele, mas por conta do relacionamento dele com pessoas envolvidas”, afirmou.

Ao comentar o cenário político que envolve o caso, Soraya disse enxergar risco de conflito de interesses. Segundo ela, há suspeitas de participação de figuras associadas ao bolsonarismo, o que, na sua visão, exige mais cautela na condução do processo. “Nós sabemos que muitos envolvidos são do espectro bolsonarista. E o relator sorteado foi o ministro André Mendonça”, declarou.

A senadora destacou que apoiou Mendonça no momento de sua indicação ao Supremo Tribunal Federal e que, por isso, espera dele uma postura técnica e imparcial. “Eu sempre acreditei nele. Votei nele e ajudei ele. O que eu espero é que ele seja absolutamente imparcial. Foi para isso que eu votei nele”, disse.

Apesar disso, Soraya argumentou que, diante de relações pessoais ou políticas com investigados, o correto seria o ministro se afastar do caso. Para ela, a imparcialidade não deve ser apenas exercida, mas também demonstrada publicamente, para impedir dúvidas sobre o julgamento. “Para mim, ali há suspeição e também impedimento em relação a alguns réus. E não dá para fatiar um processo desse”, afirmou.

Na entrevista, a senadora explicou que há diferença entre suspeição e impedimento. A suspeição, segundo ela, pode ocorrer por razões subjetivas, enquanto o impedimento envolve hipóteses objetivas previstas em lei. “Suspeição é uma questão de foro íntimo. Você não precisa explicar o motivo. Já o impedimento tem hipóteses previstas. Você não pode atuar quando há relação pessoal, quando há parentes envolvidos ou quando há amizade íntima ou inimizade declarada”, declarou.

Soraya disse acreditar que o caso reúne condições que podem comprometer a isenção de alguns envolvidos no Judiciário. “Ali há amigos íntimos, há parlamentares envolvidos. Isso existe. E isso preocupa”, afirmou, sem citar nomes.

A senadora também citou o fato de Mendonça ter sido indicado pelo governo anterior como um elemento que pode gerar questionamentos, caso o processo envolva integrantes do grupo político que o nomeou. “Ele foi indicado por quem? Pelo governo passado. Então, para mim, existe uma suspeição”, disse.

Ao ser questionada se o problema estaria ligado apenas a amizades com o governo anterior, Soraya explicou que falava do contexto do próprio ministro e do ambiente em torno do caso. “Se eu fosse ele, eu me declararia suspeito e impedido. As duas coisas”, afirmou.

A parlamentar acrescentou que o afastamento preventivo seria uma medida para proteger a credibilidade do julgamento, evitando que a decisão final seja interpretada como motivada por interesses políticos ou pessoais. “É melhor se afastar logo do que chegar num ponto em que a suspeição vira um problema institucional, como já aconteceu em outros casos”, declarou.

Soraya citou diretamente o episódio envolvendo o ministro Dias Toffoli como exemplo de como vínculos pessoais podem se tornar foco de controvérsia pública e jurídica. “É melhor desistir logo do que chegar num ponto como chegou a questão do ministro Dias Toffoli”, disse.

A senadora afirmou ainda que a preservação da imagem do Judiciário deve ser tratada como prioridade, sobretudo em processos de grande repercussão e que envolvem suspeitas sobre recursos públicos. Segundo ela, qualquer sinal de parcialidade pode contaminar a legitimidade do julgamento.

“Se fosse comigo, eu faria isso para não deixar mácula, para não dar margem a dizerem que seria uma vingança pessoal ou uma decisão contaminada”, declarou.

Ao final, Soraya reiterou que sua preocupação não está ligada a disputas partidárias, mas ao impacto institucional do caso. “Está difícil, mas a gente vai ter que encarar. Eu não fiquei feliz com esse sorteio, com todo respeito ao ministro André, mas pelo relacionamento dele com pessoas envolvidas”, concluiu.

Fonte: Brasil 247

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