quarta-feira, 15 de abril de 2026

Ex-pastor da Lagoinha é suspeito de assediar sexualmente fiéis adolescentes

Lucas Tiago de Carvalho Silva, de 37 anos, atuava como líder de adolescentes de uma unidade de igreja em Belo Horizonte e teria assediado dois jovens

              Fachada de uma das sedes da Igreja da Lagoinha (Foto: Reprodução / Facebook)

Um ex-pastor da Igreja Batista da Lagoinha, em Belo Horizonte, é alvo de investigação por suspeita de crimes contra a dignidade sexual envolvendo dois adolescentes, atualmente com 16 e 17 anos, informa a Folha de São Paulo. A apuração inclui relatos de abuso e manipulação, levando a Justiça a adotar medidas protetivas urgentes contra o religioso.

A 1ª Vara Especializada em Crimes contra a Criança e o Adolescente da capital mineira determinou restrições ao investigado com base na Lei Henry Borel. O caso está sob investigação da Polícia Civil de Minas Gerais.

O ex-pastor, identificado como Lucas Tiago de Carvalho Silva, de 37 anos, atuava como líder de adolescentes na unidade da igreja no bairro São Geraldo, na região leste da cidade. Ele é suspeito de aliciar jovens e praticar atos de natureza sexual. Segundo documentos judiciais, o investigado teria utilizado sua posição religiosa e habilidade de comunicação para conquistar a confiança de adolescentes e familiares, ocultando intenções sob o pretexto de orientação espiritual.

As denúncias apontam diferentes formas de abordagem. Em um dos casos, o contato teria começado em um grupo de estudos de livros cristãos, evoluindo posteriormente para trocas de mensagens com conteúdo sexual. De acordo com relato da mãe de uma das vítimas, o ex-pastor enviava fotos e vídeos íntimos, utilizando recursos de visualização única e alegando problemas conjugais para ganhar a confiança do jovem.

No segundo caso, as investidas teriam ocorrido dentro da própria igreja. A mãe de outro adolescente relatou à polícia que o investigado praticou toques abusivos, beijos no pescoço e sexo oral em ambientes como a cozinha da unidade e espaços usados para oração. Em depoimento, ela afirmou que o ex-pastor “usava sua lábia” para convencê-la a manter o filho frequentando a igreja.

Os adolescentes também prestaram depoimento. Um deles relatou que, inicialmente, a relação parecia “de forma normal, com abraço e carinho”, mas que depois “já foi para um lado que eu considerei abuso e pedofilia”. Ele descreveu episódios em que era pressionado contra a parede e ficava sem reação. O outro jovem afirmou que não sofreu abordagens físicas, mas foi exposto repetidamente a “conteúdo impróprio no celular” dentro de um carro.

A decisão judicial também menciona que o investigado tentou entrar na casa de uma das vítimas, chegando a forçar o portão após ter a entrada negada pelos pais. Como medida preventiva, o juiz determinou que ele mantenha distância mínima de 500 metros dos adolescentes e está proibido de qualquer contato, inclusive digital. O ex-pastor também não pode frequentar as imediações da igreja. O descumprimento das ordens pode resultar em prisão preventiva.

A mãe de um dos jovens descreveu um cenário de isolamento e pressão após a revelação dos fatos. Segundo ela, a orientação inicial da liderança regional da Lagoinha foi para que as famílias se afastassem dos cultos para "não atrapalhar as investigações" e evitar encontros com o acusado. Ela ainda relata ter sofrido represálias da comunidade, com membros de congregação enviando mensagens aos irmãos da vítima questionando “o que a família tinha aprontado”.

Em nota, a igreja diz que o acusado nega as acusações. "A denúncia foi recebida na terça-feira, 27 de janeiro, por volta das 20h. Na manhã de quarta-feira, 28 de janeiro, às 7h, a liderança ouviu pessoalmente as famílias e vítimas, orientando a imediata busca pelas autoridades competentes e disponibilizando apoio pastoral, psicológico e orientação jurídica", diz o documento.

Fonte: Brasil 247

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