quinta-feira, 3 de setembro de 2026

Tarcísio demite Delegado Da Cunha da Polícia Civil de São Paulo

 Governo paulista aplicou pena de demissão a bem do serviço público após considerar procedentes acusações analisadas em processo administrativo

O deputado federal Delegado Da Cunha foi demitido dos quadros da Polícia Civil de São Paulo por decisão do governador Tarcísio de Freitas após processo administrativo
Crédito: Divulgação

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), determinou nesta quinta-feira (3) a demissão do deputado federal Carlos Alberto da Cunha, conhecido como Delegado Da Cunha, dos quadros da Polícia Civil paulista. A punição aplicada foi a de demissão a bem do serviço público, prevista entre as sanções mais graves do Estatuto da instituição.

A informação foi publicada inicialmente pela coluna do jornalista Alfredo Henrique, do Metrópoles. Segundo a reportagem, o ato apareceu no Diário Oficial do Estado depois de o governo considerar procedentes as acusações examinadas no processo administrativo instaurado contra Da Cunha.


A decisão enquadrou a conduta do parlamentar em dispositivos relacionados a procedimento irregular de natureza grave. Também foram citadas normas referentes à revelação intencional de informações sigilosas conhecidas em razão da função, quando há prejuízo ao poder público ou a particulares, e à prática de ato definido pela legislação como improbidade.

A documentação que fundamentou a medida inclui parecer e despacho da Assessoria Jurídica do Governo paulista, ambos datados de 1º de setembro.

 Deputado estava licenciado da Polícia Civil

Da Cunha estava licenciado da corporação. Antes de chegar à Câmara dos Deputados, em 2022, ganhou projeção nacional principalmente pela divulgação de vídeos de operações policiais nas redes sociais.

A exposição das ações policiais, porém, também esteve no centro de procedimentos internos e questionamentos sobre sua atuação na instituição.

Em 2020, Da Cunha foi acusado de fazer com que a vítima de um sequestro e um criminoso retornassem a um cativeiro já desativado para uma reconstituição da ocorrência diante das câmeras. Ele reconheceu ter realizado uma reprodução da ação. O processo judicial relacionado ao episódio foi arquivado em 2024.

No ano seguinte, o então delegado foi afastado das atividades nas ruas e teve arma e distintivo recolhidos. À época, respondia a procedimentos da Corregedoria envolvendo, entre outros pontos, suspeitas sobre o emprego da estrutura da Polícia Civil em gravações destinadas às suas redes sociais.

Ainda em 2021, Da Cunha solicitou licença não remunerada da instituição.

 Parlamentar também é réu por violência doméstica

Já no exercício do mandato de deputado federal, Da Cunha tornou-se réu em um processo envolvendo acusações de violência doméstica contra sua ex-companheira Betina Grusiecki.

O Ministério Público de São Paulo o denunciou pelos crimes de lesão corporal, ameaça e dano qualificado. O parlamentar nega as acusações.

Em fevereiro de 2026, sua presença na reinauguração de uma Delegacia de Defesa da Mulher, na capital paulista, provocou críticas de entidades que atuam no enfrentamento à violência contra as mulheres.

De acordo com o Metrópoles, Da Cunha não havia sido localizado pela coluna para comentar sua demissão até a publicação da reportagem.

Com a decisão do governo paulista, o deputado perde formalmente o vínculo funcional com a Polícia Civil, instituição na qual construiu a carreira que posteriormente lhe deu projeção nas redes sociais e serviu de base para sua entrada na política eleitoral.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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