Partido acusa senador de mentir sobre relação com banqueiro e aponta contradições envolvendo pedido de R$ 134 milhões e financiamento do filme “Dark Horse”
Crédito: Dark Horse-Flávio Bolsonaro-Jair Bolsonaro (Foto: Divulgação/Jair Bolsonaro/Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/Flávio Bolsonaro/Adriano Machado/Reuters/Daniel Vorcaro/Reprodução/ Montagem/IA Dall-e)
O Partido dos Trabalhadores (PT) protocolou uma representação no Conselho de Ética do Senado Federal pedindo a perda do mandato do senador Flávio Bolsonaro por quebra de decoro parlamentar. A iniciativa se baseia nas revelações e contradições relacionadas à relação do parlamentar com o banqueiro Daniel Vorcaro.
Na representação, o PT sustenta que Flávio mentiu sobre a natureza e a extensão de sua relação com Vorcaro e adotou uma conduta incompatível com a dignidade do mandato. O partido argumenta que o caso deve ser analisado sob a ótica político-parlamentar, independentemente da existência ou não de responsabilidade criminal.
“Qualquer juízo de culpa criminal será proferido pelo Poder Judiciário”, afirma o documento, segundo o conteúdo da representação. Para o PT, cabe ao Senado avaliar se a atuação de Flávio Bolsonaro violou os padrões de comportamento exigidos de um parlamentar.
⦿ Pedido de R$ 134 milhões entra no centro da representação
Um dos principais elementos apresentados contra Flávio é um áudio em que o senador aparece pedindo R$ 134 milhões a Vorcaro. Inicialmente, Flávio negou a existência da negociação. Posteriormente, passou a afirmar que se tratava da busca por financiamento privado.
Para o PT, a mudança de versão é relevante para a análise da quebra de decoro. O partido sustenta que o problema não se limita à natureza da operação financeira, mas envolve a transparência das declarações prestadas pelo senador e o eventual uso de sua autoridade política em negociações de grande valor.
Flávio também negou manter uma relação próxima com Vorcaro. Segundo os elementos citados na representação, porém, documentos e registros de encontros apontariam para uma relação mais estreita do que aquela inicialmente admitida pelo parlamentar, inclusive com contatos posteriores à prisão do banqueiro.
⦿ Filme sobre Jair Bolsonaro também é citado
A representação aborda ainda o financiamento de “Dark Horse”, filme sobre Jair Bolsonaro. Flávio afirmou que o último pagamento de Vorcaro relacionado ao projeto teria ocorrido em maio de 2025.
Posteriormente, no entanto, uma reportagem revelou a existência de um pagamento adicional de US$ 1,6 milhão em setembro daquele ano. A divergência é utilizada pelo PT para reforçar a acusação de que o senador apresentou informações que não corresponderiam integralmente aos fatos.
O partido também questiona a falta de divulgação de contratos e de informações detalhadas sobre a origem, o destino e as condições dos recursos envolvidos no projeto cinematográfico.
Na avaliação apresentada ao Conselho de Ética, a sucessão de negativas, versões posteriormente modificadas e informações reveladas por documentos e reportagens teria deixado a conduta do senador “gravemente maculada”.
⦿ PT cita precedentes de cassação no Senado
O PT também recorre a precedentes históricos para sustentar o pedido de perda do mandato. A representação menciona os casos dos ex-senadores Luiz Estévão e Demóstenes Torres, cassados pelo Senado em processos relacionados a condutas consideradas incompatíveis com o decoro parlamentar.
A tese apresentada é que o Conselho de Ética não precisa atuar como órgão de investigação criminal para avaliar o comportamento de um senador. O julgamento sobre o mandato tem natureza política e institucional e pode ocorrer independentemente de eventual responsabilização na Justiça.
O partido argumenta ainda que as imunidades asseguradas aos parlamentares pela Constituição não constituem proteção absoluta contra consequências decorrentes de comportamentos incompatíveis com o exercício do cargo.
Com a representação, caberá agora às instâncias competentes do Senado decidir sobre a tramitação do pedido e eventual abertura de processo no Conselho de Ética. Para o PT, a análise do caso é necessária para preservar a credibilidade do Senado e a dignidade do mandato parlamentar.
Fonte: Brasil 247
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