A jornalista Míriam Leitão afirmou nesta terça-feira (25), durante comentário na GloboNews, que considera preocupante a postura de candidatos de direita e extrema-direita que negam a existência da trama golpista articulada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A declaração ocorreu após a sabatina de Romeu Zema (Novo), ex-governador de Minas Gerais e candidato à Presidência, no “Jornal Nacional”.
Na entrevista exibida na segunda-feira (24), Zema negou que tenha existido uma trama para romper a ordem democrática e voltou a defender a anistia aos condenados pelos atos golpistas. Segundo ele, esse seria um dos primeiros gestos de seu governo caso seja eleito presidente.
Para Míriam Leitão, a tentativa de apagar os acontecimentos que culminaram nos ataques de 8 de Janeiro é um dos aspectos mais graves da campanha eleitoral.
“Isso é o mais grave que está acontecendo nesta campanha: a quantidade de candidatos que diz que não houve o que houve. Houve uma tentativa de golpe, foi um processo continuado, foi uma conspiração desde o primeiro dia de governo, teve etapas, teve planejamento, teve tentativa de sedução dos militares, teve tudo isso que se viu”, disse.
A jornalista ressaltou que a postura não se limita a Zema e citou também Ronaldo Caiado. “E vários candidatos falam a mesma coisa, não é só ele. Nós estamos tratando de Zema hoje, mas Ronaldo Caiado, nas entrevistas, por exemplo, fugia da pergunta: ‘Mas teve golpe?’. ‘Não, não, não’, sabe? Tentava escapar, falando que iria anistiar”.
Míriam afirmou ainda que o país deveria ter candidaturas conservadoras comprometidas com a defesa das instituições. “E eu acho que isso deveria ser o mais importante: candidatos da direita que defendessem a democracia. O Brasil precisava disso, porque o Brasil é uma coleção de candidatos que aceitam o golpismo”.
Para ela, o problema está ligado a uma característica histórica do país. “E o Brasil tem uma história de golpismo estrutural. A República sempre foi ameaçada por golpismo, e teve golpes bem-sucedidos, teve períodos autoritários. Nós temos isso: o mais grave que tem na história do Brasil é esse golpismo estrutural”, disse Leitão.
Durante a sabatina, Zema também repetiu uma fake news difundida pela extrema-direita sobre as condenações pelos atos de 8 de Janeiro. “Uma moça que sujou um monumento público pegar 14 anos de prisão. É desproporcional”, declarou.
Renata Vasconcellos contestou a afirmação e lembrou que a Justiça reconheceu crimes como golpe de Estado, tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito e dano ao patrimônio tombado. “Foram 1.400 condenações”, acrescentou a jornalista.
A mulher mencionada por Zema é Débora Rodrigues dos Santos, conhecida como Débora do Batom. Ela não foi condenada apenas por escrever “Perdeu, mané” na estátua da Justiça.
A maioria do Supremo Tribunal Federal (STF) considerou Débora culpada por cinco crimes: abolição violenta do Estado Democrático de Direito, golpe de Estado, associação criminosa armada, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado. A análise levou em conta sua participação nos atos golpistas, e não somente a inscrição feita com batom.
Houve divergência entre os ministros sobre a pena. Cristiano Zanin votou por 11 anos de prisão, enquanto Luiz Fux defendeu um ano e seis meses. A maioria, entretanto, estabeleceu a condenação em 14 anos.
Fonte: DCM
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