Estratégia do partido busca fortalecer governabilidade do presidente Lula, criar contraponto à direita e impulsionar renovação política nas eleições para a Câmara dos Deputados e Assembleias Legislativas
Lula e Luna Zarattini - Crédito: Ricardo Stuckert
O PT está apostando de forma decisiva no lançamento de candidaturas jovens para renovar sua representação e ampliar sua bancada na Câmara dos Deputados, atualmente dominada por parlamentares de posições alinhadas à direita e à centro-direita, narra o Metrópoles.
A articulação integra a estratégia do presidente Lula (PT) para expandir a sustentação política do governo no Congresso Nacional, viabilizando a governabilidade em um eventual quarto mandato e garantindo a oxigenação dos quadros internos com o surgimento de novas lideranças na legenda.
Dentro desta mobilização, quadros da nova geração petista lançaram o movimento denominado Congresso do Povo. A iniciativa articula candidaturas jovens de diversas regiões do país em torno de uma carta de 13 compromissos políticos com foco em pautas populares. Entre as prioridades defendidas pelo grupo estão a extinção da jornada de trabalho na escala 6×1, o combate ostensivo à violência contra a mulher e a reformulação no modelo de distribuição das emendas parlamentares. O movimento é integrado prioritariamente por postulantes que concorrem pela primeira vez a uma vaga no parlamento federal, sendo que parte deste grupo já ocupa mandatos no âmbito estadual e municipal.
Idealizadora da iniciativa, a vereadora de São Paulo Luna Zarattini (PT) explicou que o projeto nasceu como uma reação direta à postura da atual composição do Congresso Nacional que, segundo sua avaliação, “virou as costas para o povo”.
“A ideia de criar esse movimento é a gente poder dar voz a diversos lutadores e lutadoras que já vêm fazendo um trabalho nas suas cidades, nos seus estados. Que já vêm fazendo uma ação de combatividade para que a gente possa ocupar o Congresso Nacional e transformar ele num ‘Congresso do povo’, um Congresso que reflita os temas e anseios da população”, afirmou a vereadora.
Atualmente, o PT conta com 37 candidaturas jovens mapeadas para a Câmara dos Deputados e trabalha ativamente para eleger a maior quantidade possível de representantes no próximo pleito. Zarattini destacou o caráter diverso dos nomes apresentados, que abrangem lideranças femininas, pessoas LGBTQIA+, negros, ativistas do campo e representantes de diferentes movimentos sociais.
“A juventude da classe trabalhadora ocupa, hoje, diversos espaços, desde escolas, universidades, à luta do campo, das cidades, da mobilidade. Então, são lideranças que transitam entre diversas pautas e que vêm diversos perfis, mas que têm uma luta só que é a renovação política do Congresso Nacional e levar essas pautas populares adiante”, pontuou.
☉ O cenário na Câmara dos Deputados
Na última eleição geral, a Federação PT-PCdoB-PV conquistou 81 cadeiras na Câmara dos Deputados, configurando-se como a segunda maior bancada da Casa, atrás apenas do PL, que obteve 99 parlamentares. Com a renovação total das 513 vagas na Câmara no próximo pleito, a avaliação interna da sigla é de que os nomes jovens possuem grande apelo eleitoral, sendo capazes de rejuvenescer o perfil do partido e atuar como fortes puxadores de votos.
Entre as principais lideranças da nova geração cotadas para a disputa ao cargo de deputado federal destacam-se a própria vereadora paulistana Luna Zarattini e o vereador de Belo Horizonte Pedro Rousseff, sobrinho da ex-presidenta Dilma Rousseff.
De acordo com a secretária nacional de Juventude do PT, Julia Köpf, o movimento de recomposição e formação de novos quadros na legenda é contínuo. Desde 2020, o partido opera o Programa Representa, voltado para a formação política, suporte institucional e descentralização de recursos para a emergência de novas lideranças.
Köpf reforçou que o fortalecimento de nomes históricos continua sendo um pilares do partido — citando como exemplo a deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ), que concorrerá ao Senado aos 84 anos —, mas sublinhou a urgência de abrir passagem para a nova geração.
“É muito bom fazer parte de um partido que tem uma história bonita e forte igual ao PT, mas a gente também quer um partido que tenha futuro. E hoje, essa nova geração que vai chegar, para a bancada federal e para as assembleias legislativas, vem com tudo, vem com bastante formação política, vem sabendo dessa história e pronto para defender o PT nos próximos anos”, declarou Köpf.
A direção da juventude do partido projeta a eleição de 10 a 15 deputados federais jovens na próxima disputa, salientando que a mesma linha de atuação está sendo aplicada na montagem das chapas para as Assembleias Legislativas nos estados.
“O PT precisa ser ponta de lança, apresentar essa renovação à esquerda com pautas importantes, que façam sentido. Então, o fim da escala 6×1, a tarifa zero. A gente tem se comprometido com eleger uma bancada que se renova na política, na prática e que tem muito compromisso com o povo brasileiro, com o eleitorado”, frisou a secretária.
☉ Desafio da sucessão e visão de futuro
A necessidade de impulsionar a renovação geracional no campo progressista foi abordada recentemente pelo próprio presidente Lula, ao mencionar as dificuldades do partido e do campo da esquerda em consolidar substitutos e herdeiros políticos para a disputa presidencial. Em declaração concedida ao programa de entrevistas Inteligência Ltda., o presidente indicou que sua permanência na linha de frente eleitoral decorre da urgência em conter o avanço da extrema-direita na ausência de nomes alternativos com a mesma densidade eleitoral no momento.
“Eu preparo tanta gente. Eu lancei a primeira presidenta da história desse país. Depois lancei o Haddad em 2018. Tem momentos na política e no futebol que você não tem a quantidade de craques que você queria ter”, avaliou o presidente. “Meu desejo, se eu pudesse, era descansar com minha namorada, minha Janjinha. Mas eu não vou deixar a extrema direita voltar”, completou.
Apesar dos desafios de curto prazo, a cúpula e dirigentes do PT projetam nomes com trajetória de destaque no Executivo, como o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad e o ex-ministro da Educação Camilo Santana, como lideranças preparadas para dar continuidade ao projeto político do partido nos próximos ciclos eleitorais, com horizonte voltado para 2030.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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