O partido responde sozinho por 15,7% dos R$ 31,1 bilhões informados pelos candidatos
O patrimônio de candidatos do PL cresceu 184% em quatro anos e chegou a R$ 4,9 bilhões nas eleições de 2026, colocando a legenda na liderança nacional da soma de bens declarados à Justiça Eleitoral. O partido responde sozinho por 15,7% dos R$ 31,1 bilhões informados pelos candidatos de todas as siglas que disputam cargos em outubro.
Os dados foram compilados pelo g1 a partir das declarações apresentadas pelos próprios candidatos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em 2022, os concorrentes do PL haviam declarado conjuntamente R$ 1,7 bilhão. Em quatro anos, portanto, o montante cresceu R$ 3,2 bilhões, embora o número de candidatos da legenda tenha permanecido praticamente estável, passando de 1.629 para 1.636.
Considerando todas as legendas, o patrimônio declarado pelos candidatos brasileiros alcançou R$ 31,1 bilhões neste ano, 30% acima dos R$ 23,9 bilhões registrados nas eleições de 2022. Os valores incluem imóveis, veículos, participações empresariais, ações, aplicações financeiras e outros ativos informados no processo de registro das candidaturas. A declaração patrimonial é obrigatória e tem como objetivo dar transparência aos bens dos concorrentes, mas os ativos podem aparecer pelo valor de aquisição, e não necessariamente pelo preço atual de mercado.
O aumento registrado pelo PL também alterou significativamente o patrimônio médio de seus candidatos. O valor passou de cerca de R$ 1 milhão por concorrente em 2022 para aproximadamente R$ 3 milhões em 2026. Com isso, a legenda avançou da sétima para a segunda posição entre os partidos com as maiores médias patrimoniais.
A distribuição dos bens dentro do partido, porém, é bastante concentrada. Dos 1.636 candidatos do PL, 319 declararam não possuir qualquer patrimônio em seus nomes. No extremo oposto, apenas 12 candidatos reúnem aproximadamente R$ 2,5 bilhões, metade de toda a riqueza declarada pelos concorrentes da legenda.
O maior patrimônio individual entre os candidatos do PL é o do empresário Luiz Osvaldo Pastore, primeiro suplente na chapa do senador Eduardo Gomes (PL-TO), que disputa a reeleição. Pastore declarou R$ 677,7 milhões em bens, distribuídos entre aplicações financeiras, obras de arte e participações empresariais. Ele aparece como o terceiro candidato mais rico do país, segundo o levantamento.
Na sequência aparece Wilson Picler, empresário e candidato a suplente na chapa de Deltan Dallagnol (Novo-PR) ao Senado pelo Paraná. Picler informou patrimônio de R$ 478,7 milhões. Quase metade desse valor decorre de participações no Centro Universitário Internacional (Uninter), instituição fundada por ele.
No ranking do patrimônio total por legenda, o MDB aparece depois do PL, com R$ 3,3 bilhões declarados por 1.409 candidatos. O PSDB reúne R$ 2,6 bilhões, enquanto PSD e Republicanos têm aproximadamente R$ 2,5 bilhões cada. PDT, União Brasil, Novo e PP aparecem na sequência.
A reportagem do g1 também destaca o Democrata, antigo Partido da Mulher Brasileira (PMB), como a legenda com maior crescimento proporcional do patrimônio declarado entre 2022 e 2026. Apesar de ter reduzido seu número de candidatos em 396, a soma dos bens passou de R$ 164 milhões para R$ 702 milhões, avanço de 328%.
Esse salto está fortemente concentrado em dois candidatos a deputado estadual por Minas Gerais. Antonio dos Reis Gonçalves Lerin e Sérgio Cassemiro declararam, juntos, R$ 533 milhões, equivalentes a 76% de todo o patrimônio relacionado aos candidatos do partido.
Já o Partido Renovador Trabalhista Brasileiro (PRTB), de Pablo Marçal, lidera quando o critério é patrimônio médio por candidato. A legenda apresenta apenas 12 candidaturas em todo o país, que somam R$ 663,6 milhões em bens declarados, situação que eleva de maneira significativa a média patrimonial do partido.
Na outra ponta aparece o Partido Comunista Brasileiro (PCB). Seus 23 candidatos declararam conjuntamente R$ 4,1 milhões, menor média patrimonial entre os 30 partidos que disputam as eleições de outubro.
O Partido dos Trabalhadores (PT), do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, tem 1.103 candidatos e patrimônio total declarado de R$ 788 milhões. De acordo com os dados apresentados pelo g1, a média é de aproximadamente R$ 714 mil por candidato, o que coloca a legenda na 20ª posição no ranking desse indicador.
Os números refletem as declarações entregues pelos próprios candidatos à Justiça Eleitoral e, por isso, não equivalem necessariamente ao valor de mercado atual de seus bens. Ainda assim, o levantamento mostra uma expansão expressiva do patrimônio informado pelos concorrentes de 2026 e uma forte concentração de riqueza em determinadas legendas e candidaturas.
Fonte: Brasil 247 com informações do G1
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