quarta-feira, 5 de agosto de 2026

Negociação com Arthur Lira abriu caminho para Alfredo Gaspar virar vice de Flávio Bolsonaro

Articulação para preservar acordo do PL em Alagoas levou deputado a deixar disputa pelo Senado e integrar chapa presidencial

Arthur Lira e Flávio Bolsonaro  -  Crédito: Agência Câmara | Agência Senado

A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) para ser candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL) passou por uma negociação direta envolvendo o deputado federal Arthur Lira (PP-AL). Segundo reportagem do colunista Carlos Madeiro, do UOL, publicada nesta quarta-feira (5), a mudança foi costurada pela direção nacional do PL para solucionar um impasse político em Alagoas e preservar um acordo firmado entre Lira e o ex-presidente Jair Bolsonaro.


De acordo com a apuração, Lira defendia o cumprimento do compromisso de que o PL não lançaria candidatura própria ao Senado em Alagoas, limitando seu apoio ao nome respaldado pelo parlamentar do PP. A permanência de Alfredo Gaspar na disputa pela vaga contrariava esse entendimento e gerava insatisfação de Lira junto à cúpula da legenda.

O impasse se intensificou depois que Gaspar abandonou o plano inicial de disputar o governo de Alagoas e lançou candidatura ao Senado, homologada na convenção estadual do PL realizada na terça-feira (4).

Ainda segundo o UOL, na noite da convenção, Arthur Lira recebeu uma ligação informando que a situação em Alagoas seria “clareada”. Embora não tenha sido detalhada a solução, a mensagem deixava claro que Alfredo Gaspar deixaria a disputa pelo Senado. A alternativa encontrada pelo partido foi transferi-lo para a chapa presidencial de Flávio Bolsonaro como candidato a vice-presidente.

A reportagem afirma que o próprio Arthur Lira foi surpreendido pela dimensão da decisão. Pessoas próximas ao deputado relataram que ele imaginava apenas uma realocação de Gaspar dentro da política alagoana, como uma candidatura ao governo do estado ou uma tentativa de reeleição à Câmara dos Deputados.

● Disputa em Alagoas motivou articulação

O conflito teve origem nas mudanças no comando do PL em Alagoas. Em abril, Alfredo Gaspar assumiu a presidência estadual do partido poucos dias após o presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto, reunir-se em Brasília com o então prefeito de Maceió, JHC.

Na ocasião, JHC pediu autorização para disputar o Senado pelo PL ou que o partido apoiasse um integrante de sua família, como a primeira-dama Marina Candia ou a senadora Eudócia Caldas. Segundo o UOL, Valdemar recusou o pedido ao lembrar do compromisso firmado com Arthur Lira, mas ofereceu apoio para uma candidatura de JHC ao governo estadual.

Pouco depois, JHC deixou o PL e filiou-se ao PSDB, legenda pela qual disputará o governo de Alagoas. Nos bastidores, aliados do prefeito afirmam que Arthur Lira assumiu o controle político do PL no estado, versão negada pelo parlamentar.

A influência de Lira, segundo a reportagem, também foi decisiva para que Alfredo Gaspar assumisse o comando estadual do partido.

● Escolha causou surpresa dentro da campanha

A definição de Alfredo Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro surpreendeu integrantes da campanha presidencial e partidos aliados. Conforme o UOL, o nome do deputado alagoano não vinha sendo discutido entre as principais opções desde que Flávio lançou sua pré-candidatura, em dezembro.

Até a véspera da decisão, outras alternativas ainda eram analisadas, incluindo a possibilidade de a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro integrar a chapa.

Entre aliados, havia dúvidas sobre o potencial eleitoral da escolha. A avaliação era de que Gaspar e Flávio Bolsonaro compartilham perfis semelhantes de eleitorado, o que limitaria a capacidade da chapa de conquistar novos segmentos. Nesse contexto, a possibilidade de uma mulher ocupar a vice era defendida por integrantes do partido como forma de ampliar a identificação com o eleitorado feminino.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

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