terça-feira, 25 de agosto de 2026

Daniel Vorcaro pagou US$ 38 mil por serviço de luxo na Disney para ex-diretor do BC, aponta PF

 Depoimento de empresário à Polícia Federal detalha benesses concedidas ao ex-chefe de Fiscalização do Banco Central em viagem aos Estados Unidos, em desdobramento da Operação Compliance Zero

Paulo Sérgio Neves de Souza  -  Crédito: Edilson Rodrigues/Agência Senado

O empresário Léo Serrano, proprietário da consultoria de serviços de luxo SL Consulting, afirmou em depoimento prestado à Polícia Federal (PF) que o ex-banqueiro Daniel Vorcaro, antigo proprietário do Banco Master, desembolsou US$ 38 mil para custear um serviço de concierge exclusivo ao ex-diretor do Banco Central (BC) Paulo Sérgio Neves de Souza durante uma viagem aos parques da Disney e da Universal, em Orlando, nos Estados Unidos, informa Ramiro Brites, do Metrópoles.

A oitiva de Serrano, realizada por videoconferência na manhã de segunda-feira (24) na sede da PF na Lapa, em São Paulo, durou cerca de 10 minutos e teve como foco exclusivo o atendimento prestado ao ex-servidor do BC. O delegado responsável pela condução das investigações acompanhou a sessão diretamente de Brasília.


De acordo com o depoimento, a SL Consulting atuava organizando viagens, hospedagens e festas de alto padrão para Vorcaro e seus interlocutores. No entanto, no caso específico de Paulo Sérgio Neves de Souza, a empresa não foi responsável pela compra de passagens aéreas ou reservas de hotéis, restringindo-se à contratação do profissional para acompanhamento VIP dentro dos complexos de entretenimento norte-americanos.

O serviço de concierge garantiu ao então gestor público uma experiência sem burocracias nos parques temáticos. O profissional designado resolveu todas as pendências logísticas, compras de ingressos, agendamentos, pagamentos e acesso prioritário para evitar filas durante o passeio. A viagem ocorreu no início de 2024, período em que Souza exercia o cargo de chefe-adjunto do Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central, após ter deixado a chefia da Diretoria de Fiscalização da autarquia.

As investigações da PF indicam que a gentileza do ex-banqueiro integrava um esquema de troca de favores. Mensagens interceptadas revelam que Vorcaro demonstrou preocupação prévia em viabilizar os guias de luxo para a família de Souza em Orlando. Em contrapartida, o ex-dono do Banco Master recebia informações privilegiadas e sigilosas de dentro do órgão regulador do sistema financeiro.

Indícios de corrupção e desdobramentos judiciais

O caso é um dos desdobramentos da Operação Compliance Zero. Ao autorizar a terceira fase da operação em março, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), apontou a existência de fortes indícios de que Vorcaro corrompeu o servidor público por meio do fornecimento de benesses e da utilização de estruturas financeiras desenhadas para ocultar a origem ilícita dos recursos.

Em sua decisão, Mendonça destacou que a troca de mensagens via aplicativo WhatsApp entre Souza e Vorcaro comprovou o momento em que o empresário tomou conhecimento dos planos de férias do servidor nos Estados Unidos, passando imediatamente a providenciar os mimos de alto custo.

Economista formado pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e ex-funcionário do Banco do Brasil, Paulo Sérgio Neves de Souza pertence ao quadro de concursados do Banco Central desde 1998. Entre os anos de 2019 e 2023, sob a gestão de Roberto Campos Neto na presidência da autoridade monetária, Souza atingiu o ápice de sua trajetória institucional ao chefiar a Diretoria de Fiscalização.

Em 4 de março, data em que a PF deflagrou a terceira etapa da Compliance Zero, Souza foi afastado de suas funções por determinação judicial. O Banco Central já havia instaurado uma sindicância interna em janeiro para apurar a conduta ética e administrativa do servidor.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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