A influenciadora de extrema-direita Pietra Bertolazzi, ex-comentarista política da Jovem Pan, voltou a causar repercussão nas redes sociais ao aparecer em um vídeo do canal Brasil Alternativo atacando o feminismo e defendendo posições contra direitos das mulheres. Na gravação, ela ressoa as falas misóginas do blogueiro bolsonarista Paulo Figueiredo, que recentemente afirmou ser contra o voto feminino.
No vídeo, Pietra é questionada por um homem atrás das câmeras: “As feministas vivem em uma falsa sensação de liberdade e felicidade?”. Ela responde: “Com certeza. Hoje elas se tornaram escravas da sua própria ideologia”. A fala foi publicada em meio a uma nova onda de ataques de setores da extrema-direita ao movimento feminista e à participação política das mulheres.
Na parte final da gravação, em formato de perguntas rápidas, Pietra afirma ser contra o aborto, a distribuição gratuita de absorventes e o voto feminino. Por outro lado, declara apoio às privatizações e à igualdade salarial entre homens e mulheres.
A manifestação ocorre poucos dias depois de Paulo Figueiredo voltar a atacar mulheres nas redes sociais, após um vídeo em que criticou a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro.
Em uma publicação no X, ele compartilhou uma reportagem sobre sua própria fala e escreveu: “Deixa eu me retratar: mulher não vota muito mal, mulher vota mal PARA CARALHO. Especialmente as solteiras. Se trabalha na Folha então, pior ainda. Como isso sequer é controverso, meu Deus? Estatisticamente é indiscutível”. O blogueiro não apresentou estudo que comprovasse a afirmação.
Na mesma publicação, Figueiredo atacou o movimento feminista e o chamou de “ideologia demoníaca”. “Mas nem sempre foi assim! Isso tem a ver com o avanço desta ideologia demoníaca feminista que está destruindo a vida das mulheres. Posso e vou provar. Se ficaram chocados, preparem-se para o Paulo Figueiredo Show de amanhã porque vai faltar pentelho”, disse.
Ataques contra Janja
Pietra já havia sido alvo de decisão da Justiça Eleitoral. Em 2024, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) multou a Jovem Pan e a influenciadora em R$ 30 mil por divulgação de informações inverídicas sobre a primeira-dama Janja da Silva durante a campanha eleitoral de 2022.
Na ocasião, Pietra afirmou, em comentário na emissora, que, “enquanto você tem ali a Janja abraçando o [sic] Pabllo Vittar e fumando maconha, fazendo sei lá o quê, você tem uma mulher impecável representando a direita, os valores, a bondade, a beleza (?): Michelle [Bolsonaro]”.
O TSE entendeu que a fala, no contexto eleitoral, prejudicava o então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e configurava veiculação de fake news. O tribunal também decidiu que ataques a cônjuges de candidatos durante campanhas podem ser julgados pela Corte.
Na análise do caso, o ministro Alexandre de Moraes afirmou que Bertolazzi “praticava dia e noite discurso de ódio” em uma “campanha negativa descarada”. Para Moraes, ao associar Janja ao consumo de maconha e à cantora Pabllo Vittar, a comentarista mobilizou pautas de costumes relevantes no debate eleitoral, como drogas e identidade de gênero.
A ministra Cármen Lúcia também destacou o caráter sexista de ataques contra mulheres. “O discurso de ódio é diferente entre homens e mulheres. Contra os homens, é de uma natureza. Contra a mulher, é sexista, de costumes, extremamente violento, desqualificando para atingir a família”, afirmou. O ministro André Tavares concordou que a declaração de Pietra buscava atingir Lula, “ainda que indiretamente”.
Após a decisão, o advogado Alexandre Fidalgo, que representa Pietra Bertolazzi e a Jovem Pan, disse que as partes “respeitam o entendimento do TSE, mas avaliam a pertinência de recorrer da decisão”.
Já o advogado Angelo Ferraro, defensor de Lula no processo, afirmou: “O reconhecimento de que os ataques mentirosos em detrimento da primeira-dama impactam diretamente no pleito é importante medida para impor responsabilidade a quem extrapolou os limites da liberdade de imprensa e de expressão, desvirtuando o debate eleitoral para o campo das ofensas”.
Fonte: Brasil 247
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