sexta-feira, 3 de julho de 2026

PF já investigava suspeito de ligação com PCC antes de sanções dos EUA

Mandados contra Victor Shimada já haviam sido autorizados em junho. Operação foi antecipada após medida do governo norte-americano contra suspeitos

       Crédito: Gerada por IA

A Polícia Federal antecipou a deflagração da Operação Exchange depois que o governo dos Estados Unidos anunciou sanções contra Victor Henrique de Oliveira Shimada, Stella Stefanie Nunes Henrique de Oliveira e empresas ligadas ao empresário. Os mandados de prisão e de busca contra os dois já haviam sido autorizados pela Justiça desde junho, no âmbito de uma investigação sobre suspeitas de lavagem de dinheiro que pode ter movimentado mais de R$ 10 bilhões, segundo Míriam Leitão, no jornal O Globo.

A PF já realizava diligências para localizar Shimada, que estava em paradeiro desconhecido. Por esse motivo, a operação ainda não havia sido deflagrada. A decisão norte-americana de sancionar os investigados e três empresas ligadas a Shimada, sob a alegação de envolvimento em um esquema de lavagem de dinheiro relacionado ao PCC, surpreendeu os investigadores brasileiros e acabou acelerando a ação policial.

A Operação Exchange foi deflagrada nesta sexta-feira (3) e já resultou na prisão de sete pessoas, entre elas Stella Stefanie. Victor Shimada segue foragido. Ao todo, mais de 50 policiais federais cumprem 13 mandados de busca e apreensão e 11 mandados de prisão temporária em endereços nas cidades de São Paulo, Santos, Praia Grande e Santana de Parnaíba, no estado de São Paulo.

As ordens judiciais foram expedidas pela 7ª Vara Federal Criminal de São Paulo. A Justiça também determinou o sequestro de bens, valores e criptoativos dos investigados até o limite de R$ 10,4 bilhões, valor próximo ao montante identificado pela PF em uma análise preliminar das movimentações financeiras atribuídas ao grupo.

Segundo a investigação, os suspeitos teriam estruturado um sistema para movimentar recursos por diferentes meios, incluindo transferências ilícitas de criptoativos, transporte de valores em espécie, operações bancárias de grande volume, repasses entre pessoas físicas e jurídicas e outras transações financeiras. Os investigados podem responder por associação criminosa, lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outros crimes que venham a ser identificados no decorrer da apuração.

A antecipação da operação, provocada pelas sanções dos Estados Unidos, gerou críticas sobre a falta de coordenação entre autoridades dos dois países. Para o promotor Lincoln Gakiya, referência no combate ao crime organizado, o episódio mostra falhas de cooperação entre os órgãos responsáveis pelas investigações. “Houve uma falta de coordenação do FBI com a Polícia Federal. Poderiam ter, por exemplo, trocado informações e o FBI aguardado a divulgação das sanções ou avisado antes de fazê-lo para que a Polícia Federal pudesse antecipar a operação que já organizava aqui. E refirmo que apesar de existir numerosos crimes relacionados à Shimada, ainda não há nenhum indicativo de que ele seja integrante ou que tenha de alguma maneira auxiliado o PCC”, afirmou o promotor.

As sanções impostas pelos Estados Unidos tiveram como alvo Shimada, Stella e três empresas associadas ao empresário. O governo norte-americano afirmou que os sancionados integrariam uma rede de lavagem de dinheiro vinculada ao PCC.

A Operação Exchange aprofunda a investigação sobre uma engrenagem financeira suspeita de movimentar recursos bilionários por meio de empresas, contas bancárias, criptoativos e operações de alto valor. A PF afirma que novas condutas criminosas poderão ser identificadas à medida que o material apreendido for analisado.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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