sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

PSB reforça 'campanha' para manter Alckmin como vice de Lula

Conversas no PT sobre possível cessão da vice ao MDB geram reação do PSB, que intensifica articulação para manter Geraldo Alckmin na chapa de Lula em 2026


   Geraldo Alckmin e Lula (Foto: RIcardo Stuckert / PR)

Movimentações internas no PT para rediscutir a composição da chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026 provocaram reação no PSB, que considera indispensável a permanência do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) na aliança. A avaliação entre dirigentes socialistas é de que qualquer mudança pode comprometer o equilíbrio político que garantiu a vitória em 2022, segundo o Metrópoles.

Setores do PT articulam a possibilidade de atrair o MDB para a disputa presidencial, o que abriria espaço para um nome da legenda como candidato a vice. A estratégia é defendida por uma ala petista que avalia que a inclusão de um representante de centro poderia ampliar o alcance eleitoral do presidente diante do eleitorado que hoje orbita o campo de Jair Bolsonaro (PL).

No PSB, no entanto, o entendimento é distinto. Lideranças da sigla afirmam que alterar a composição da chapa poderia fragilizar Lula politicamente. O partido, comandado pelo prefeito do Recife, João Campos, tem atuado para blindar a permanência de Alckmin. Em encontro recente com o presidente, Campos defendeu a repetição da aliança firmada em 2022 e declarou que a manutenção do ex-governador paulista é “importante” para o PSB.

O desconforto entre as legendas não se limita ao debate nacional. Integrantes do PSB relatam insatisfação com a definição de palanques estaduais, especialmente em Pernambuco. No estado, há incômodo com a hipótese levantada por petistas de neutralidade na disputa pelo governo, em que João Campos deve enfrentar a governadora Raquel Lyra (PSD).

Enquanto o PSB fecha questão em torno de Alckmin, Lula tem evitado bater o martelo sobre a composição da chapa. No início de fevereiro, o presidente afirmou que o vice teria um “papel para cumprir em São Paulo”, declaração interpretada por aliados como indicativo de que a dobradinha vitoriosa pode não ser automaticamente mantida.

Apesar das especulações, interlocutores de Alckmin asseguram que ele tem reiterado o desejo de disputar a reeleição ao lado de Lula. O líder do PSB na Câmara, Jonas Donizette (SP), saiu em defesa do vice-presidente e cobrou maior consideração por parte do PT. “O PT precisa conversar internamente e ter um pouco mais de respeito por uma figura que foi fundamental na eleição do presidente Lula”, afirmou.

Donizette também destacou a postura adotada por Alckmin desde a formação da chapa. “Acho que eles têm de valorizar a lealdade que o Alckmin tem tido, a postura. Ele é, sem dúvida, a pessoa que mais agrega valor à candidatura do Lula. Foi por isso que ele foi convidado lá atrás para ser vice”, acrescentou o parlamentar.

A trajetória que levou antigos adversários a compor a mesma chapa remonta às eleições de 2006, quando Lula e Alckmin disputaram o segundo turno presidencial. À época no PSDB, Alckmin foi derrotado, e Lula garantiu a reeleição. O ex-governador paulista ainda retornaria ao comando do Palácio dos Bandeirantes e tentaria novamente o Planalto em 2018, quando enfrentou novo revés.

Entre 2018 e 2022, Alckmin perdeu espaço no PSDB e deixou a legenda para se filiar ao PSB, em março de 2022. A aproximação com Lula foi articulada por interlocutores que atuaram para viabilizar uma aliança até então improvável. Um mês depois, o PSB formalizou a indicação de Alckmin como vice, e o PT aprovou a composição. Em outubro, a chapa saiu vitoriosa nas urnas.

No atual cenário, embora existam pressões por mudanças, Alckmin também acumula apoios dentro do próprio PT. Em reunião realizada na última segunda-feira (23), que reuniu dirigentes nacionais e lideranças paulistas, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu defendeu a manutenção da chapa de 2022. O entendimento de que a composição não deveria sofrer alterações foi respaldado pelos presentes.

O presidente nacional do PT, Edinho Silva, declarou neste mês que o desenho da chapa ainda não está fechado, mas não descartou a permanência de Alckmin como vice. Ele afirmou que o atual vice-presidente “disputará o cargo que ele quiser” em 2026.

“Eu tenho dito e vou repetir: o vice-presidente Geraldo Alckmin disputará o cargo que ele quiser nas eleições de 2026, porque nós o respeitamos e temos por ele muito carinho”, declarou Edinho, acrescentando que o ex-governador é “muito respeitado” dentro do partido.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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