Escolhido como vice na chapa do PL, deputado Alfredo Gaspar conduziu CPMI que deixou sem análise requerimento sobre o entorno de Flávio Bolsonaro
Alfredo Gaspar - Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A escolha do deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) como candidato a vice-presidente na chapa encabeçada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL) reacendeu questionamentos sobre a condução da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. Segundo reportagem publicada pelo jornalista Paulo Motoryn, um requerimento que buscava aprofundar investigações sobre pessoas ligadas ao entorno do senador foi protocolado, mas nunca chegou a ser analisado pela comissão.
Gaspar foi anunciado como vice na quarta-feira (5). Oficialmente, a indicação foi apresentada como um gesto voltado ao eleitorado da segurança pública e ao discurso de combate à corrupção, em razão da atuação do parlamentar na CPMI do INSS, onde ganhou destaque por conduzir investigações que colocaram o empresário Luís Cláudio Lula da Silva, conhecido como Lulinha, entre os principais alvos políticos da oposição.
De acordo com a reportagem, porém, outro aspecto da atuação de Gaspar ajuda a explicar sua aproximação com Flávio Bolsonaro. Trata-se da ausência de deliberação sobre um requerimento apresentado pelo deputado Rogério Correia (PT-MG), em 3 de fevereiro, que pedia a convocação de Letícia Caetano dos Reis, administradora do escritório de advocacia de Flávio Bolsonaro.
O documento, conforme relata Motoryn, reunia informações sobre uma rede de relações envolvendo o advogado Willer Tomaz, que voltou ao noticiário após ser alvo de busca e apreensão da Polícia Federal na Operação Sem Desconto, deflagrada na terça-feira (4).
⦿ Requerimento relacionava personagens citados em investigação
Segundo a reportagem, o requerimento de Rogério Correia se baseava, em parte, em apurações publicadas anteriormente pela jornalista Alice Maciel, então na Agência Pública e atualmente no ICL Notícias.
As reportagens mostravam que Letícia Caetano dos Reis administrava o escritório de Flávio Bolsonaro instalado em uma residência do senador em Brasília e que, segundo ela própria, havia assumido a função por indicação de Willer Tomaz.
O requerimento também acrescentava novos elementos à investigação. Entre eles, a informação de que Alexandre Caetano dos Reis, irmão de Letícia, aparecia em relatório da Polícia Federal como sócio de Antonio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”, em uma offshore investigada.
Além disso, o documento apontava que Willer Tomaz havia atuado como advogado de Alexandre Caetano dos Reis e mencionava registros da Polícia Federal sobre movimentações financeiras envolvendo o advogado e pessoas relacionadas ao esquema investigado.
⦿ Mudança para o PL antecedeu fortalecimento político
Pouco mais de um mês após a apresentação do requerimento, Alfredo Gaspar deixou o União Brasil e se filiou ao PL, em 25 de março, durante evento realizado em Brasília ao lado de Flávio Bolsonaro.
Na ocasião, o senador afirmou que havia convidado pessoalmente o deputado para integrar a legenda e declarou que Gaspar atendia a uma “convocação” para reorganizar o partido em Alagoas.
Com a filiação, o deputado assumiu a presidência estadual do PL e fortaleceu seu projeto político para disputar uma vaga no Senado. Agora, poucos meses depois, foi escolhido para integrar a chapa presidencial como candidato a vice.
⦿ Investigação perdeu espaço na CPMI
Paulo Motoryn destaca que o requerimento permaneceu sem apreciação durante os trabalhos da CPMI. Segundo o jornalista, enquanto a comissão concentrou esforços em investigações que geraram desgaste ao governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, especialmente as relacionadas a Lulinha, a linha de investigação envolvendo pessoas próximas a Flávio Bolsonaro não avançou.
A reportagem ressalta que não há evidências de que Alfredo Gaspar tenha impedido deliberadamente o andamento da investigação. No entanto, aponta como dado objetivo o fato de que o requerimento existia, continha elementos formalmente apresentados à comissão e não teve os mesmos desdobramentos observados em outras frentes de investigação.
Com a nova operação da Polícia Federal envolvendo Willer Tomaz, o documento protocolado em fevereiro voltou a ganhar relevância, principalmente pelo fato de não ter sido apreciado durante os trabalhos da CPMI.
Fonte: Brasil 247 por meio de reportagem publicada pelo jornalista Paulo Motoryn
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