terça-feira, 4 de agosto de 2026

PF aponta que advogado comprou mansão de R$ 6 milhões usada por Weverton Rocha

 Relatório da Polícia Federal aponta que Willer Tomaz atuava como hub financeiro em investigação sobre fraudes em descontos do INSS

Senador Weverton Rocha (PDT-MA) - Crédito: Evandro Macedo/LIDE

A investigação da Polícia Federal (PF) que culminou na operação deflagrada nesta terça-feira (4) contra familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) revelou que a residência utilizada pelo parlamentar no Lago Sul, bairro de alto padrão em Brasília (DF), foi adquirida pelo advogado Willer Tomaz pelo valor de R$ 6 milhões, informa Tácio Lorran, do Metrópoles.

De acordo com os investigadores da corporação, o caso expõe uma tentativa de ocultação de patrimônio. “A dissociação entre a titularidade registral e o alegado domínio econômico constitui um dos pontos centrais da apuração”, pontuou a PF. O caso se insere no âmbito das apurações sobre um suposto esquema de lavagem de dinheiro decorrente de fraudes em descontos de benefícios previdenciários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

A Polícia Federal aponta que o advogado “funcionaria como verdadeiro hub financeiro, patrimonial e logístico” colocado à disposição dos beneficiários dos recursos ilícitos, grupo no qual estaria inserido o senador maranhense. As informações detalhadas constam em relatório oficial enviado pela PF ao relator do processo no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça.


⦿ Negociação e estrutura imobiliária

Os dados levantados pelas autoridades mostram que, embora o senador Weverton Rocha tenha participado diretamente das tratativas para a aquisição da mansão, a compra formal do imóvel foi efetuada em abril de 2023 em nome da WT Administração de Imóveis e Bens S/A, empresa vinculada ao advogado Willer Tomaz.

Na manhã desta terça-feira, agentes da PF cumpriram novos mandados de busca e apreensão para aprofundar as apurações sobre a prática de lavagem de dinheiro, fato derivado das investigações da Operação Sem Desconto.

Segundo a corporação, o inquérito teve início após a detecção de movimentações financeiras e patrimoniais suspeitas. Tais operações teriam sido efetuadas com o uso de pessoas físicas e jurídicas, contas bancárias de terceiros, estruturas empresariais e transações com expressivos valores em espécie, tudo visando ocultar a origem e o destino final das quantias transacionadas.

⦿ O outro lado

Em nota oficial divulgada à imprensa, a defesa do advogado Willer Tomaz afirmou que a medida de busca e apreensão realizada contra ele decorre unicamente de ele ser o proprietário de uma aeronave utilizada pelo senador em viagem particular.

“Willer Tomaz não é investigado no âmbito da Operação Sem Desconto e não possui qualquer vínculo com o esquema de fraudes em descontos previdenciários apurado pela Polícia Federal”, ressaltou a nota emitida por sua assessoria.

O texto alega ainda que o empréstimo do avião ocorreu por razões estritamente pessoais e de amizade. “O advogado reitera que está à disposição das autoridades para prestar todos os esclarecimentos necessários e confia na apuração serena dos fatos, certo de que sua conduta em nada se relaciona com o objeto da operação”, completou a defesa.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

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