Contratos de limpeza urbana foram mantidos pela gestão Bruno Reis mesmo após empresário ser indiciado pela PF na Operação Overclean
Empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”
Crédito: Reprodução
A MM Limpeza Urbana, empresa do empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, recebeu R$ 47,8 milhões da Prefeitura de Salvador em 2026. Os pagamentos foram destinados a serviços de coleta de resíduos prestados à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), enquanto Moura passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de corrupção, fraude em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.
As informações são da coluna de Milena Teixeira, no portal Metrópoles, que consultou dados do Portal da Transparência da capital baiana. O empresário foi indiciado pela PF na segunda-feira (17), no âmbito da Operação Overclean, investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e contratos fraudulentos.
A contratação da MM Limpeza Urbana pela Prefeitura de Salvador começou em 2018, durante a administração do então prefeito ACM Neto. Os contratos foram mantidos durante o governo de Bruno Reis, mesmo após a empresa e o empresário entrarem no radar das autoridades federais.
Os valores pagos pela prefeitura à empresa aumentaram o total recebido nos últimos anos. Em 2025, a MM Limpeza Urbana recebeu R$ 75,3 milhões. No ano anterior, os repasses chegaram a R$ 66,3 milhões. Em 2023, foram pagos R$ 48,8 milhões.
⦾ Prefeitura afirma que contratos seguem exigências legais
Em nota, a gestão Bruno Reis declarou que a empresa continua executando regularmente os serviços previstos nos contratos firmados com o município.
“A empresa citada presta regularmente os serviços para os quais foi contratada, cumprindo as obrigações previstas nos respectivos contratos”, afirmou a prefeitura.
O governo municipal também sustentou que as contratações seguiram os procedimentos previstos na legislação e que os dados podem ser fiscalizados pelos órgãos de controle.
“As contratações foram realizadas por meio dos procedimentos licitatórios previstos na legislação, com observância aos critérios técnicos, jurídicos e administrativos exigidos. Todos os contratos, pagamentos e demais informações relacionadas às contratações estão disponíveis nos mecanismos oficiais de transparência e sujeitos à fiscalização dos órgãos de controle”, diz o texto.
⦾ Operação investiga movimentação de R$ 1,4 bilhão
Além de José Marcos Moura, a PF indiciou outras 24 pessoas, entre agentes públicos e empresários. A investigação estima que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de contratos suspeitos.
Deflagrada em 2024, a Operação Overclean apura possíveis crimes de corrupção, fraude em licitações e desvio de verbas públicas. Com os novos indiciamentos, o caso será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Nunes Marques, e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
A PGR deverá avaliar os próximos passos do processo. O órgão poderá apresentar denúncia contra os investigados, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento do caso.
A primeira etapa da operação foi autorizada pela Justiça Federal em dezembro de 2024. O processo passou ao STF depois que surgiram indícios de envolvimento de políticos com foro por prerrogativa de função. A fase mais recente ocorreu em janeiro deste ano e teve como alvo o deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA).
A ação contou com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.
⦾ Empresário mantém proximidade com lideranças do União Brasil
José Marcos Moura já foi filiado ao União Brasil e mantém relações com nomes importantes da legenda. Entre eles estão o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, atual vice-presidente do partido, e Antônio Rueda, presidente nacional da sigla.
O empresário foi preso na mesma operação que levou à detenção de um primo do deputado federal Elmar Nascimento, ex-líder do União Brasil na Câmara. Segundo o relato da investigação, quando os policiais chegaram à residência do familiar do parlamentar, ele teria tentado lançar pela janela uma sacola com R$ 200 mil.
Fonte: Brasil 247 com informações da coluna de Milena Teixeira, no portal Metrópoles
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