terça-feira, 18 de agosto de 2026

Empresa do “Rei do Lixo” já recebeu R$ 47,8 milhões de Salvador em 2026

 Contratos de limpeza urbana foram mantidos pela gestão Bruno Reis mesmo após empresário ser indiciado pela PF na Operação Overclean

Empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”
Crédito: Reprodução

A MM Limpeza Urbana, empresa do empresário José Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo”, recebeu R$ 47,8 milhões da Prefeitura de Salvador em 2026. Os pagamentos foram destinados a serviços de coleta de resíduos prestados à Secretaria Municipal de Ordem Pública (Semop), enquanto Moura passou a ser investigado pela Polícia Federal (PF) por suspeitas de corrupção, fraude em licitações, peculato, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

As informações são da coluna de Milena Teixeira, no portal Metrópoles, que consultou dados do Portal da Transparência da capital baiana. O empresário foi indiciado pela PF na segunda-feira (17), no âmbito da Operação Overclean, investigação que apura um suposto esquema de desvio de recursos públicos e contratos fraudulentos.

A contratação da MM Limpeza Urbana pela Prefeitura de Salvador começou em 2018, durante a administração do então prefeito ACM Neto. Os contratos foram mantidos durante o governo de Bruno Reis, mesmo após a empresa e o empresário entrarem no radar das autoridades federais.

Os valores pagos pela prefeitura à empresa aumentaram o total recebido nos últimos anos. Em 2025, a MM Limpeza Urbana recebeu R$ 75,3 milhões. No ano anterior, os repasses chegaram a R$ 66,3 milhões. Em 2023, foram pagos R$ 48,8 milhões.


⦾ Prefeitura afirma que contratos seguem exigências legais

Em nota, a gestão Bruno Reis declarou que a empresa continua executando regularmente os serviços previstos nos contratos firmados com o município.

“A empresa citada presta regularmente os serviços para os quais foi contratada, cumprindo as obrigações previstas nos respectivos contratos”, afirmou a prefeitura.

O governo municipal também sustentou que as contratações seguiram os procedimentos previstos na legislação e que os dados podem ser fiscalizados pelos órgãos de controle.

“As contratações foram realizadas por meio dos procedimentos licitatórios previstos na legislação, com observância aos critérios técnicos, jurídicos e administrativos exigidos. Todos os contratos, pagamentos e demais informações relacionadas às contratações estão disponíveis nos mecanismos oficiais de transparência e sujeitos à fiscalização dos órgãos de controle”, diz o texto.

⦾ Operação investiga movimentação de R$ 1,4 bilhão

Além de José Marcos Moura, a PF indiciou outras 24 pessoas, entre agentes públicos e empresários. A investigação estima que o grupo tenha movimentado aproximadamente R$ 1,4 bilhão por meio de contratos suspeitos.

Deflagrada em 2024, a Operação Overclean apura possíveis crimes de corrupção, fraude em licitações e desvio de verbas públicas. Com os novos indiciamentos, o caso será encaminhado ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Nunes Marques, e à Procuradoria-Geral da República (PGR).

A PGR deverá avaliar os próximos passos do processo. O órgão poderá apresentar denúncia contra os investigados, solicitar novas diligências ou pedir o arquivamento do caso.

A primeira etapa da operação foi autorizada pela Justiça Federal em dezembro de 2024. O processo passou ao STF depois que surgiram indícios de envolvimento de políticos com foro por prerrogativa de função. A fase mais recente ocorreu em janeiro deste ano e teve como alvo o deputado federal Félix Mendonça Jr. (PDT-BA).

A ação contou com a participação da Controladoria-Geral da União (CGU) e da Receita Federal.

⦾ Empresário mantém proximidade com lideranças do União Brasil

José Marcos Moura já foi filiado ao União Brasil e mantém relações com nomes importantes da legenda. Entre eles estão o ex-prefeito de Salvador ACM Neto, atual vice-presidente do partido, e Antônio Rueda, presidente nacional da sigla.

O empresário foi preso na mesma operação que levou à detenção de um primo do deputado federal Elmar Nascimento, ex-líder do União Brasil na Câmara. Segundo o relato da investigação, quando os policiais chegaram à residência do familiar do parlamentar, ele teria tentado lançar pela janela uma sacola com R$ 200 mil.

Fonte: Brasil 247 com informações  da coluna de Milena Teixeira, no portal Metrópoles

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