segunda-feira, 17 de agosto de 2026

Dino afasta do TCE sobrinho do governador do Maranhão


      Flávio Dino, ministro do STF. Foto: Reprodução

O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), afastou por seis meses Daniel Brandão da presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE) do Maranhão. Ele é sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).

Dino atendeu a um pedido da Polícia Federal, que investiga um esquema de desvio de recursos públicos envolvendo emendas federais no Maranhão. A corporação aponta Daniel Brandão como uma peça central de um “ecossistema criminoso” no estado.

A decisão também impede Daniel Brandão de entrar nas dependências do TCE e de manter contato com outros investigados. Dino destacou que o tribunal fiscaliza as contas do governo estadual, comandado pelo tio do investigado, e reúne dezenas de parentes dele em seus quadros.

O inquérito apura ainda o assassinato do empresário João Bosco, morto em 2022, em São Luís. Daniel Brandão figura entre os investigados nesse caso.

Governador do Maranhão, Carlos Brandão (PSB), com o sobrinho, Daniel Brandão. Foto: Reprodução

Inquérito apura reunião sobre propinas e morte de empresário

A investigação aponta que Daniel Brandão marcou uma reunião na qual participantes discutiriam pagamentos de propina. João Bosco foi morto durante esse encontro, e a suspeita é de que o crime tenha relação com desavenças sobre repasses vinculados a contratos públicos.

Daniel Brandão estava no prédio quando ocorreu o assassinato. A Polícia Federal afirmou que imagens de câmeras de segurança o mostram no local, mas a Polícia Civil não o identificou formalmente nos primeiros relatórios sobre o caso.

Os investigadores também citam indícios de uso de órgãos de segurança do Maranhão para dificultar a identificação de Daniel Brandão e apontam supostas tentativas de interferir na apuração. Entre elas estão a coação de testemunhas e pagamentos para manter o silêncio do executor do crime, Gildson Cutrim.

Condenado a 13 anos de prisão pelo homicídio, Gildson Cutrim cumpre pena em regime semiaberto. A Polícia Federal suspeita que Daniel Brandão tenha financiado pagamentos a ele e a seus familiares; o ex-deputado estadual Raimundo Cutrim teria intermediado conversas para mudar a versão do pai do condenado e teve a prisão decretada por Dino em julho.

Fonte: DCM

Nenhum comentário:

Postar um comentário