sexta-feira, 21 de agosto de 2026

Defesa de Roberta Luchsinger pede ao STF trancamento de inquérito

 Advogados sustentam ilicitude de provas em investigação que cita Fábio Luís Lula da Silva

Roberta Moreira Luchsinger  -  Crédito: Reprodução/YouTube/DCM TV

A defesa da empresária Roberta Luchsinger, apontada como amiga de Fábio Luís Lula da Silva, apresentou um pedido ao ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando o trancamento do inquérito que investiga suspeitas de tráfico de influência e irregularidades em negócios envolvendo o filho do presidente Lula (PT), informa o jornal O Globo. A petição foi protocolada pela equipe jurídica da empresária na quinta-feira (20).


Em outra frente de movimentação processual, a Procuradoria-Geral da República (PGR) enviou uma solicitação ao ministro relator para que os inquéritos sob sua condução no STF envolvendo Lulinha e Roberta sejam declinados e enviados para a primeira instância da Justiça Federal. No entanto, interlocutores da Suprema Corte indicam que a tendência é que o ministro André Mendonça indefira a transferência e decida manter a tramitação dos casos sob a jurisdição do Supremo Tribunal Federal.

Na petição encaminhada ao Supremo, os advogados de Roberta Luchsinger — classificada pela Polícia Federal como suposta lobista — sustentam que as provas que fundamentam as acusações são ilícitas. A tese central da defesa argumenta que os elementos de prova foram obtidos por meio do desvio de finalidade na exploração dos dados telemáticos da empresária, extrapolando os limites e a finalidade específica que haviam sido autorizados judicialmente.

De acordo com o relato dos advogados, a Polícia Federal utilizou uma medida de quebra de sigilo autorizada originalmente no âmbito da Operação Sem Desconto — apuração voltada a coibir fraudes em descontos associativos indeferidos sobre benefícios de aposentados e pensionistas do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) — para aprofundar uma linha de investigação que já era de conhecimento prévio dos investigadores e que não guardava relação direta com as irregularidades previdenciárias.

A defesa contesta expressamente a versão apresentada pela Polícia Federal, que classificou os achados referentes a Roberta, a Fábio Luís e a tratativas na área de saúde como uma “descoberta fortuita” durante a análise do acervo digital. Segundo os advogados, antes mesmo de obter a autorização judicial para acessar o conteúdo armazenado na nuvem da empresária, a PF já havia identificado as conexões e a relação entre ela, Antônio Carlos Camilo Antunes — conhecido como “Careca do INSS” e apontado como figura central na investigação sobre o órgão previdenciário — e o filho do presidente, além de negociações ligadas ao Ministério da Saúde.

Para demonstrar que a linha investigativa já era conhecida pelas autoridades antes do acesso aos dados digitais, a petição destaca um depoimento prestado ainda em 2025. Naquela ocasião, a oitiva já indicava a empresária Roberta Luchsinger como intermediária entre Antônio Carlos, Fábio Luís e Gustavo Gaspar em tratativas referentes à empresa World Cannabis, pertencente a Antônio. A empresa buscava fechar contrato com o governo federal para o fornecimento de medicamentos à base de canabidiol. Gustavo Gaspar, ex-assessor do senador Weverton Rocha (PDT-MA), também é investigado por suspeita de participação no esquema de desvios praticados contra o INSS.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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