quarta-feira, 19 de agosto de 2026

Atentado a bomba à sede da ABI completa 50 anos

 Explosão em 1976 marcou a resistência contra a censura da ditadura militar no Brasil

Atentado a bomba à sede da ABI (1976) - Crédito: Divulgação/Arquivo ABI

Em 19 de agosto de 1976, uma explosão no prédio sede da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), situado no centro do Rio de Janeiro, enviou uma mensagem clara contra a liberdade de expressão em um período de intensa resistência à censura exercida pela ditadura militar brasileira, relembra o portal Aventuras na História.

Ao completar 50 anos do episódio, nesta quarta-feira (19), a ABI relembra o atentado terrorista e ressalta a importância da liberdade de imprensa para a valorização e a manutenção dos meios democráticos. A bomba explodiu no sétimo andar do edifício número 71 da Rua Araújo Porto Alegre. Embora ninguém tenha ficado ferido, os estragos materiais deixados pela explosão reconstroem a memória das agressões sofridas no período.


De acordo com relatos da época, o impacto da explosão destruiu dois banheiros localizados próximos à sala da presidência da entidade, afetando também as estruturas do elevador e os andares vizinhos.

Atualmente, o edifício de 13 andares, construído em 1938, continua sendo a sede da ABI. No entanto, são as fotografias do acervo que conseguem retratar a dimensão exata daquele ataque à liberdade de manifestação e de pensamento.

⦾ Ação de extrema-direita durante o distensionamento da ditadura

Na época do ataque, o Brasil vivia o processo de “distensão” do regime militar. Embora a ditadura tenha surgido sob a promessa de permanecer por poucos anos e devolver o poder a um governo democrático, o país enfrentou 21 anos de destituição da democracia. Nos anos finais do regime, o plano dos militares era conduzir um “distensionamento” controlado para permitir a transição política, decisão que enfrentou oposição de setores radicais da sociedade.

Foi o caso do grupo paramilitar de extrema-direita Aliança Anticomunista Brasileira (AAB), que assumiu a autoria do atentado à sede da ABI por meio da distribuição de um panfleto. No manifesto, os extremistas alegavam que a entidade estava “totalmente dominada pelos comunistas” e que a bomba servia como uma “primeira advertência”.

O atual presidente da ABI, Octávio Costa, comentou a posição histórica da entidade no conflito. “Ao defender a liberdade de imprensa, os direitos humanos e a livre manifestação do pensamento, tornou-se também alvo da intolerância de grupos radicais de extrema-direita, contrários aos incipientes movimentos de abertura política – a chamada ‘distensão’ do regime ditatorial”, afirmou.

⦾ Cenário amplo de violência política e impunidade

A ação contra a ABI não foi um caso isolado, mas parte de um contexto estrutural de violência e intimidação política voltado a conter qualquer avanço das liberdades democráticas.

No mesmo dia do ataque à ABI, outra bomba foi instalada na sede da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), também no Rio de Janeiro. O segundo artefato só não explodiu devido a uma falha no mecanismo de ativação, o que evitou duas detonações simultâneas na cidade.

Dezenas de outros atentados foram registrados durante o governo de Ernesto Geisel, período classificado pelo próprio general como uma abertura “lenta, gradual e segura”. Apenas entre os meses de agosto e novembro de 1976, ocorreram nove atentados terroristas no Rio de Janeiro, sendo oito deles reivindicados pela AAB.

Apesar da sucessão de atos terroristas praticados contra entidades civis e da existência de um amplo aparato de inteligência e repressão no país, os autores dos atentados nunca foram identificados ou responsabilizados.

Fonte: Brasil 247 com informações do Portal Aventuras na História

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