Documento aprovado pelo partido em Alagoas prevê retomada automática da candidatura caso deputado deixe a vice na chapa de Flávio Bolsonaro
Alfredo Gaspar - Crédito: Kayo Magalhães / Câmara dos Deputados
A direção estadual do PL em Alagoas aprovou uma ata que mantém aberta a possibilidade de o deputado federal Alfredo Gaspar (PL-AL) voltar a disputar uma vaga no Senado, caso deixe a condição de candidato a vice-presidente na chapa de Flávio Bolsonaro (PL). A informação foi publicada pela coluna de Igor Gadelha, no Metrópoles.
Segundo o registro partidário, aprovado em reunião virtual extraordinária na noite de quarta-feira (5), a retirada de Gaspar da corrida ao Senado ocorreu “exclusivamente” por causa de sua designação para a chapa presidencial de Flávio.
O texto da ata estabelece que qualquer mudança posterior na candidatura nacional de Gaspar à Vice-Presidência torna sem efeito a deliberação que revogou sua escolha como candidato ao Senado. Com isso, a decisão anterior da convenção estadual voltaria a valer, desde que respeitados os prazos e as regras da legislação eleitoral.
“Qualquer nova alteração superveniente na candidatura nacional de ALFREDO GASPAR DE MENDONÇA NETO ao cargo de Vice-Presidente da República tornará, automaticamente e de pleno direito, sem efeito a deliberação constante do item ‘I’, hipótese em que restabelecer-se-á para todos os fins de direito a escolha regularmente realizada na Convenção Estadual ordinária, observados os prazos e as condições da legislação eleitoral vigente”, diz o documento.
Na prática, o mecanismo evita que o PL de Alagoas tenha de reiniciar o processo de escolha de um nome para o Senado se Gaspar deixar a chapa presidencial antes do fim dos prazos eleitorais.
A movimentação ocorre após Flávio Bolsonaro anunciar, em Brasília, Alfredo Gaspar como candidato a vice em sua chapa ao Palácio do Planalto. O anúncio reacendeu a repercussão sobre uma acusação contra o deputado por suposto estupro de vulnerável, apresentada em março pelo deputado Lindbergh Farias (PT-RJ).
O caso foi encaminhado à Polícia Federal, que solicitou ao Supremo Tribunal Federal a abertura de inquérito. O pedido ficou sob relatoria do ministro Gilmar Mendes, que pediu manifestação da Procuradoria-Geral da República antes de decidir se autoriza ou não a investigação.
De acordo com a coluna, a PGR pediu diligências à PF antes de se pronunciar. A solicitação foi feita em 21 de maio, mas só foi despachada por Gilmar Mendes à Polícia Federal na quarta-feira (5), depois do anúncio de Gaspar como vice de Flávio Bolsonaro.
Alfredo Gaspar nega a acusação de forma veemente. Ainda segundo a publicação, a campanha de Flávio enviou ofício à PGR pedindo rapidez na realização de um exame de DNA com a suposta vítima, com o objetivo de sustentar a inocência do parlamentar.
Procurado pela coluna na manhã desta sexta-feira (7), Gaspar confirmou ter participado da reunião do PL em Alagoas, mas afirmou que não pretende retomar a candidatura ao Senado.
“Não tem possibilidade de ser candidato a mais nada. Só a vice”, declarou o deputado.
Fonte: Brasil 247
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