sexta-feira, 17 de julho de 2026

Tarifaço de Trump atinge 36,5% do agro brasileiro, diz CNA

Entidade diz que 63,5% das exportações ficaram isentas, mas produtos estratégicos seguem tarifados

Segundo a CNA, produtos que representam 63,5% das exportações brasileiras do agro para os EUA ficaram de fora da sobretaxa de 25% imposta pelo governo dos EUA.
Crédito: Adriano Machado/Reuters

A tarifa adicional de 25% imposta pelo governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre produtos brasileiros, prevista para entrar em vigor na próxima quarta-feira (22), ainda deverá atingir cerca de 36,5% das exportações do agronegócio brasileiro para o mercado americano. A estimativa é da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

A entidade ressalta que a ampliação da lista de exceções promovida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) reduziu o alcance da medida. Com a decisão final, segundo O Globo, produtos que representam 63,5% das exportações brasileiras do agro para os EUA ficaram de fora da sobretaxa.

Apesar disso, a CNA avalia que os segmentos que permaneceram sujeitos à tarifa continuam gerando forte preocupação para o setor. “A CNA recebeu com preocupação o resultado da investigação conduzida pelo governo dos EUA”, afirmou a diretora de Relações Internacionais da entidade, Sueme Mori, em vídeo divulgado pela confederação.

⦿ Produtos estratégicos seguem na lista de sobretaxa

Entre os produtos brasileiros que continuarão sujeitos à tarifa adicional estão a madeira, arroz, uva, ovos e açúcar. De acordo com a CNA, esses itens responderam por aproximadamente US$ 4,6 bilhões em exportações brasileiras para os Estados Unidos em 2025.

Por outro lado, pescados, mel orgânico e café solúvel passaram a integrar a relação de mais de 2.100 produtos que foram excluídos da sobretaxa.

Segundo Sueme Mori, a ampliação das exceções é resultado da atuação conjunta da CNA e de representantes do setor privado junto às autoridades estadunidenses. ”Esse resultado é fruto do trabalho realizado pela CNA e por outros representantes do setor privado, que atuaram diretamente junto ao governo americano na defesa técnica dos interesses do agro brasileiro”, afirmou.

⦿ USTR aponta interesse estratégico dos EUA

De acordo com o USTR, parte dos produtos brasileiros foi retirada da lista de tarifas por ser considerada estratégica para a economia dos Estados Unidos. Entre os fatores considerados pelo governo americano estão a insuficiência da produção doméstica, a dificuldade de substituição por fornecedores de outros países e os riscos de desorganização das cadeias produtivas americanas.

Mesmo com a ampliação das exceções, a CNA informou que continuará acompanhando os desdobramentos da medida e buscará alternativas para reduzir seus impactos sobre o agronegócio brasileiro.

“A CNA acredita no diálogo construtivo e continuará trabalhando em defesa do setor agropecuário brasileiro, apoiando as cadeias produtivas afetadas e buscando soluções que preservem e fortaleçam a relação comercial entre o Brasil e os EUA”, afirmou Sueme.

⦿ Setores beneficiados comemoram exclusões

A ampliação da lista de produtos isentos também foi comemorada por entidades que representam setores beneficiados.

O presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Mel (Abemel), Renato Azevedo, afirmou que a retirada do mel orgânico da lista de produtos tarifados reflete a dependência do mercado americano da produção brasileira.

“Existe uma demanda enorme nos Estados Unidos e não há de onde comprar, já que o Brasil é o principal fornecedor mundial de mel orgânico. Mostramos que a taxação elevaria os preços para o consumidor americano, um tema sensível para o presidente Donald Trump”, disse.

Segundo a Abemel, as exportações brasileiras de mel para os Estados Unidos movimentam cerca de US$ 75 milhões por ano, sendo aproximadamente 90% desse total correspondente ao mel orgânico.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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