sexta-feira, 17 de julho de 2026

Tarifaço: ApexBrasil alerta para perdas em SP e SC e prepara plano de ação de R$ 130 milhões

ApexBrasil buscará diversificar mercados em resposta aos EUA

Laudemir André Muller
Crédito: ApexBrasil

A imposição de novas tarifas de 25% pelos Estados Unidos sobre uma série de produtos brasileiros, sob a Seção 301, promete redesenhar o mapa do comércio exterior do Brasil. Em coletiva técnica realizada nesta sexta-feira (17) em Brasília, o presidente da ApexBrasil, Laudemir André Muller, classificou a medida como arbitrária e detalhou o forte impacto regional que a decisão terá, especialmente nos estados de São Paulo e Santa Catarina.

Muller explicou que, do total de US$ 38 bilhões do fluxo de comércio entre Brasil e EUA, cerca de US$ 7,2 bilhões serão diretamente impactados pelo “tarifaço”, que entra em vigor no dia 22 de julho.

De acordo com a ApexBrasil, o impacto será profundamente sentido a nível regional e setorial. O estado de São Paulo desponta como o território de maior impacto absoluto, devido ao volume e à diversidade de sua pauta exportadora direcionada aos americanos.

A situação de Santa Catarina também acende um alerta crítico, e setores como o de sebo bovino brasileiro enfrentam um cenário extremo: praticamente 100% de suas exportações têm os EUA como destino. Muller reagiu e criticou duramente a falta de base comercial para a decisão de Washington:

“Essa é uma medida que nós consideramos absurda do ponto de vista comercial. Ela não tem nenhuma lógica para quem trabalha com comércio internacional. Não há uma entidade brasileira ou americana que defenda a tarifa. É um absurdo do ponto de vista comercial”.

“O impacto é diferenciado por setor e região. O estado de São Paulo é o com maior impacto. 68% das exportações de Santa Catarina estão impactadas pelo tarifaço”, acrescentou.

Além dos impactos diretos em SP e SC, o setor de madeira para construção, concentrado majoritariamente no Paraná — responsável por 70% das exportações brasileiras deste segmento —, enfrentará perdas severas na relação com os EUA.

Por outro lado, o Brasil conseguiu salvaguardar cerca de US$ 23 bilhões em exportações que permaneceram isentas. Muller ponderou que o verdadeiro prejuízo do tarifaço não reside apenas nas taxas em si, mas no risco de perda de espaço no mercado internacional para concorrentes globais, além de alertar para os efeitos inflacionários que a própria economia americana sofrerá.

“Em alguns setores, uma tarifa de 3% ou 4% inviabiliza o negócio, enquanto outros setores são mais capazes de suportar a nova tarifa. O grande prejuízo se dá quando uma empresa brasileira é substituída”, afirmou.

“O tarifaço vai gerar um impacto inflacionário nos EUA, principalmente no que diz respeito ao café e ao mel. Mudou bastante a percepção na sociedade brasileira da importância que tem o comércio internacional e o quanto isso impacta setores, empregos e regiões”, acrescentou.

Diante do fechamento parcial das portas americanas, a ApexBrasil indicou que o caminho para mitigar a crise em SP, SC e demais estados afetados passa pela aceleração da diversificação de mercados. Embora o mercado norte-americano continue na agenda institucional, a ApexBrasil aposta na resiliência do empresariado brasileiro — que já vem expandindo sua atuação em outras frentes geográficas — e na ampliação de fatias de mercado em setores que conseguiram manter a isenção.

O presidente da ApexBrasil ainda detalhou o desenho da maior contraofensiva comercial recente: um plano de R$ 130 milhões voltado exclusivamente para a diversificação de mercados exportadores. O investimento, estruturado em parceria estreita com a iniciativa privada, visa realocar a produção nacional afetada pelas tarifas de 25% em novas frentes comerciais de alto crescimento, mitigando prejuízos e blindando a economia interna contra decisões unilaterais de parceiros tradicionais. Nesse contexto, segundo Muller, a Europa, a ASEAN e países da Ásia Central, como Uzbequistão e Cazaquistão, ganharão cada vez mais relevância.

O plano financeiro não será executado de forma isolada. A ApexBrasil articulou uma coalizão que envolve mais de 50 entidades setoriais de peso na economia brasileira, como a Abimel (mel), Abicalçados (calçados), Centrorochas (rochas ornamentais), Abrafrutas (frutas) e Abimóvel (móveis). O foco central do aporte de R$ 130 milhões está ancorado no uso intensivo de inteligência de mercado, na vinda de missões comerciais estrangeiras e compradores internacionais ao Brasil, e no fortalecimento das vantagens comparativas do país.

Fonte: Brasil 247

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