Rebeca Ramagem, mulher do ex-diretor da Abin Alexandre Ramagem (PL-RJ), pediu licença do cargo de procuradora do Estado de Roraima para disputar as eleições deste ano. O pedido, datado de 15 de junho, não informa qual cargo ela pretende concorrer.
Rebeca mora na Flórida, nos Estados Unidos, desde o fim de 2025 e se descreve nas redes sociais como “exilada política”. Ela deixou o Brasil após Alexandre Ramagem fugir do país em setembro de 2025, mês em que o STF o condenou por participação na trama golpista; em novembro, o ministro Alexandre de Moraes expediu mandado de prisão contra ele.
Ao solicitar a licença, Rebeca apresentou a ficha de filiação ao PL do Rio de Janeiro, partido ao qual pertence desde março de 2022. Alexandre Ramagem disputou a Prefeitura do Rio nas eleições municipais de 2024 pela mesma legenda.
O presidente do PL na capital fluminense, Bruno Bonetti, afirmou que Rebeca poderia disputar uma vaga de deputada, mas disse que o partido ainda precisa avaliar as condições jurídicas da candidatura. “Todo mundo que é filiado ao partido pode se colocar na condição de pré-candidato. Ela é um nome excepcional para se lançar”, declarou.

Licença eleitoral e situação funcional em Roraima
Por ser servidora pública, Rebeca precisa se desincompatibilizar do cargo até sábado (04) para entrar na disputa eleitoral. Em despacho de 30 de junho, o Departamento de Recursos Humanos da Procuradoria-Geral do Estado de Roraima registrou que ela está “quite com a Justiça Eleitoral e não possui registro de condenação criminal eleitoral transitada em julgado”.
O mesmo despacho aponta que Rebeca está sem receber salário desde dezembro de 2025, quando o STF determinou a suspensão do pagamento. Desde que deixou o país, ela acumulou férias, prorrogações e licenças, chegando a mais de sete meses sem trabalhar; a licença-prêmio por assiduidade concedida em março de 2026 termina na terça-feira (07), conforme informou a PGE-RR. Lotada desde 2020 na coordenadoria do órgão em Brasília, ela atua em ações nos tribunais superiores e recebe remuneração mensal de R$ 46 mil, segundo o Portal da Transparência.
PF relatou rota de fuga de Alexandre Ramagem
O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou em dezembro que Alexandre Ramagem saiu do Brasil de “forma clandestina”, sem passar por posto migratório. Segundo Rodrigues, o ex-diretor da Abin passou pela Guiana e embarcou no aeroporto de Georgetown rumo a Miami.
Ramagem chegou a Boa Vista na noite de 9 de setembro de 2025, dia em que Alexandre de Moraes leu o voto pela condenação dos oito réus do núcleo crucial da trama golpista, e seguiu para a Guiana no dia seguinte. Em 11 de setembro, pegou voo direto para Miami com passaporte diplomático de parlamentar; investigadores da PF identificaram a fuga ao checar a localização dos condenados, entre eles Jair Bolsonaro, os generais Augusto Heleno, Braga Netto e Paulo Sérgio Nogueira, o almirante Garnier e o ex-ministro da Justiça Anderson Torres, que não fugiram e cumprem pena no Brasil.
Fonte: DCM
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