segunda-feira, 6 de julho de 2026

Foragido, Ramagem vai ao jogo do Brasil nos EUA e descarta extradição


Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin no governo Jair Bolsonaro e foragido da Justiça brasileira – Foto: Reprodução

Alexandre Ramagem, ex-diretor da Abin no governo Jair Bolsonaro e foragido da Justiça brasileira, circulou pelo MetLife Stadium, em Nova Jersey, antes da partida entre Brasil e Noruega pela Copa do Mundo, apesar de ter condenação no STF e pedido de extradição enviado aos Estados Unidos.

Em entrevista à CNN Brasil no domingo (05), Ramagem afirmou que a extradição solicitada pelo Brasil “não vai acontecer”. Ele disse estar “em segurança” nos Estados Unidos enquanto aguarda a análise de um pedido de asilo sob alegação de perseguição política.

O ex-diretor da Abin afirmou que o pedido de asilo tramita em paralelo ao processo de extradição. “Como eles sabem que a extradição não vai acontecer, porque sabem que é uma farsa, eles tentaram me deportar clandestinamente”, declarou.

Ramagem também negou a existência da trama golpista pela qual recebeu condenação e repetiu a tese de perseguição contra a direita. “Inventaram essa farsa do golpe, inventaram crimes contra nós todos para acabar com o segmento político de direita e encarcerar o Jair Messias Bolsonaro”, disse. Ele ainda vinculou um eventual retorno ao Brasil ao resultado eleitoral: “Com essa luta, vamos virar 2027, [com a eleição de] Flávio Bolsonaro e a gente volta pro Brasil”.

Foragido da Justiça brasileira, Ramagem assiste ao jogo do Brasil nos EUA – Foto: Reprodução

Condenação no STF e pedido de extradição

A Primeira Turma do STF condenou Ramagem em setembro de 2025 a 16 anos, um mês e 15 dias de prisão, em regime inicial fechado. A pena envolve os crimes de organização criminosa armada, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito e golpe de Estado.

Ramagem foi apontado como integrante do chamado Núcleo 1 da trama golpista, formado por figuras centrais do governo Bolsonaro acusadas de atuar para manter o ex-presidente no poder após a derrota eleitoral de 2022. Ele também respondeu a acusações de usar a estrutura da Abin para espionar adversários políticos e produzir ataques ao sistema eletrônico de votação.

A investigação da Polícia Federal apontou que Ramagem deixou o Brasil mesmo proibido pelo STF de sair do país. Ele teria passado pela fronteira entre Roraima e Guiana antes de seguir para os Estados Unidos, onde entrou com passaporte diplomático, posteriormente cancelado após a condenação e a perda do mandato.

Em dezembro de 2025, a Mesa Diretora da Câmara dos Deputados cassou o mandato de Ramagem em cumprimento a uma determinação do STF. No mesmo mês, o ministro Alexandre de Moraes determinou o envio dos documentos ao Ministério da Justiça para formalizar o pedido de extradição aos Estados Unidos, inclusive com tradução para o inglês.

O Ministério da Justiça informou ao STF que encaminhou o pedido em 30 de dezembro de 2025 à embaixada brasileira em Washington. As autoridades norte-americanas ainda analisam o caso, que não tem prazo definido e pode envolver avaliação jurídica, decisão política e recursos da defesa.

Ramagem chegou a ser preso em abril pelo ICE, o serviço de imigração e controle de aduanas dos Estados Unidos, em Orlando, após abordagem relacionada a uma infração de trânsito. O motivo formal da detenção foi migratório, porque o visto dele estava vencido; dois dias depois, ele deixou a custódia sem pagar fiança, e a defesa atribuiu a soltura ao pedido de asilo em análise.

Fonte: DCM

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