Deputado acionou a Polícia Federal com o objetivo de apurar financiamentos do Banco de Brasília ligados a imóveis milionários associados ao parlamentar
Lindbergh Farias, Flávio Bolsonaro, PF, cédulas de dinheiro e o BRBCrédito: Reprodução/Redes Sociais I Agência Senado I Divulgação I Reprodução
Vice-líder do governo na Câmara dos Deputados, Lindbergh Farias (PT-RJ) informou nesta quinta-feira (2) que pediu a abertura de uma investigação sobre a compra de uma mansão de R$ 14,5 milhões no Lago Sul, bairro nobre de Brasília (DF). Conforme destacou o petista na rede social X, antigo Twitter, o imóvel foi registrado em nome de José Vicente Santini, advogado e coordenador da pré-campanha do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à presidência da República.
“Entramos na Polícia Federal com a notícia de fato para investigar o papel do BRB, um banco público, na compra da mansão particular do Flávio Bolsonaro e aqui o coordenador de campanha comprou também uma mansão que hoje é o QG da campanha do Flávio Bolsonaro”, afirmou o petista, que também citou as relações do senador com o empresário Daniel Vorcaro, dono do Master e que está preso no Distrito Federal.
“Estamos pedindo investigação da PF sobre a relação do BRB com imóveis milionários ligados ao Flávio Bolsonaro. Duas mansões em Brasília financiadas pelo banco público do DF, presidido à época por Paulo Henrique Costa, que está preso por envolvimento no escândalo ‘BolsoMaster’. E ainda tem a treta do Flávio com o jogador Richarlison, por outra mansão de R$ 10 milhões em uma ilha, em Angra dos Reis”, destacou o deputado do PT.
Segundo Lindbergh, “a fixação do Flávio por mansões é algo que precisa ser investigado a fundo. Tem dinheiro do Vorcaro envolvido nesses supostos empréstimos com o BRB? Muitas perguntas e poucas respostas.”
“Olha, quero lembrar você: Paulo Henrique Costa era o presidente do BRB, está preso. Ligação com o Vorcaro, com todo o escândalo do caso Master. Veja! O BRB não poderia dar um empréstimo ao coordenador de campanha do Flávio de 10 milhões e meio de reais. Ele tinha que ter um salário de 429 mil reais. Foi a mesma coisa naquele imóvel de 6 milhões, que também veio de empréstimo do BRB, que o Flávio quitou”, acrescentou.
Entenda
Na compra do imóvel em Brasília, a negociação teria incluído uma entrada de R$ 4 milhões e um financiamento de R$ 10,5 milhões pelo Banco de Brasília, o que levou o valor total da propriedade a R$ 14,5 milhões. A instituição financeira aparece no centro da Operação Compliance Zero, da Polícia Federal, que apura um esquema de fraudes financeiras com participação do Banco Master e movimentação estimada em ao menos R$ 12 bilhões, segundo a corporação.
O parlamentar do PT ainda trouxe à discussão outro imóvel, avaliado em R$ 10 milhões, situado na Ilha Comprida, em Angra dos Reis, no litoral do Rio de Janeiro. O caso envolve uma disputa judicial relacionada a uma mansão que ganhou repercussão após manifestação do atacante Richarlison nas redes sociais. Atualmente, o esportista joga no Tottenham, da Inglaterra, e também atuou pela seleção brasileira na Copa do Mundo de 2022.
Ao comentar um vídeo sobre o imóvel, o jogador afirmou que gastou “em torno de 10 milhões de reais” na propriedade e disse que “simplesmente me tomaram”. Na sequência, Richarlison marcou o senador Flávio Bolsonaro em sua publicação.
Do ponto de vista formal, o processo judicial não coloca Richarlison e Flávio Bolsonaro em lados opostos. A disputa envolve a Sport 70, empresa ligada ao jogador e a seu então empresário Renato Rocha Velasco, contra a WT Administração, empresa do advogado Willer Tomaz, amigo do senador. O episódio veio a público em setembro de 2022, em reportagem do Metrópoles assinada pelo colunista Guilherme Amado.
Caso BRB
Em março de 2025, o BRB pretendia comprar uma parte do Banco Master. A proposta envolvia a aquisição de 49% das ações com direito a voto e da totalidade dos papéis preferenciais da instituição, em uma transação que avançou após aval da Câmara Legislativa do Distrito Federal.
No decorrer desse processo, o banco controlado pelo governo do DF colocou R$ 16,7 bilhões no Master. A Polícia Federal afirma que operações que somam pelo menos R$ 12,2 bilhões apresentam sinais de irregularidades.
O Banco Central vetou a compra do Master pelo BRB e, poucos dias depois, determinou a liquidação extrajudicial da instituição. A decisão deixou bloqueados, sob responsabilidade do liquidante, os ativos que poderiam passar a compor o patrimônio do banco distrital.

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