segunda-feira, 13 de julho de 2026

Ex-juíza e sócia de Paulo Figueiredo detona “infiltrados” ligados a Eduardo e critica carta de Flávio


        Olavo de Carvalho e sua pupila, a ex-juíza Ludmila Lins Grilo

A ex-juíza bolsonarista Ludmila Lins Grilo afirmou que a carta divulgada por Jair Bolsonaro, na qual o ex-presidente apresenta Flávio Bolsonaro como seu porta-voz e pré-candidato à Presidência da República, representa uma escolha clara na disputa interna do bolsonarismo.

Segundo ela, ao não mencionar Michelle, o condenado sinalizou apoio ao filho e deixou de lado a ex-primeira-dama.

“Ao apoiar Flávio como seu porta-voz e pré-candidato, sem fazer qualquer menção à mulher Michelle, Jair Bolsonaro, ao meu ver, tomou partido na disputa interna, mesmo disfarçando aquilo como um apelo à unidade”, declarou.

Na avaliação de Ludmila, Bolsonaro possui hoje apenas dois ativos políticos: seu nome e a fidelidade de seu eleitorado. “Esse capital ele pode tentar transferir, e a carta mostra para quem: para Flávio, não para Michelle”, afirmou.

A ex-magistrada, porém, considera que a iniciativa dificilmente resolverá a crise entre diferentes grupos da seita. Segundo ela, Michelle Bolsonaro possui um capital eleitoral próprio, especialmente entre mulheres e evangélicos, justamente onde Flávio teria mais dificuldades.

Para Ludmila, o documento funciona apenas como um “curativo sobre uma fratura” que permanece aberta. Ela comparou a nova manifestação à carta anterior em que Bolsonaro pediu que aliados encerrassem os ataques internos.

“Resultado zero. Essa carta também não vai produzir efeito algum”, afirmou.

Ludmila atribuiu o aprofundamento da divisão da direita à atuação de “infiltrados”. Sem citar nomes diretamente, ela está se referindo ao bando de Eduardo Bolsonaro, cujo principal pistoleiro nas redes é o influenciador Kim Paim, um tipo estranho, com cara de cafetão dos anos 40, que vive na Austrália e faz “dossiês de traidores”.

Paim foi citado pela Polícia Federal nas investigações da estrutura paralela da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) como um “vetor de propagação” do monitoramento ilegal dos investigados. É um clássico do gabinete do ódio, acionado por Eduardo quando quer enxovalhar a reputação de gente ligada ao deputado federal Nikolas Ferreira, por exemplo.

Ela também afirmou que “quem permanece difamando Michelle e Nikolas Ferreira acaba contribuindo para destruir o próprio bolsonarismo”, sustentando que a direita foi levada a um processo de fragmentação por pessoas que, segundo ela, atuam deliberadamente para enfraquecer o movimento.

Ludmila classificou a divulgação da carta como um “movimento de desespero” diante da perda de coesão do bolsonarismo.

Quem é Ludmila Lins Grilo

Ludmila Lins Grilo foi juíza do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG) até ser aposentada compulsoriamente pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). Em março de 2025, o CNJ confirmou por unanimidade sua segunda aposentadoria compulsória.

A magistrada já havia recebido a mesma punição em 2023 por publicações nas redes sociais em que atacava ministros do Supremo Tribunal Federal, chamando Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso de “perseguidores-gerais da República”.

Durante a pandemia de covid-19, ganhou notoriedade por incentivar o descumprimento de medidas sanitárias, como o uso de máscaras. A ex-juíza afirma atualmente viver “exilada” nos Estados Unidos.

Foi sócia num supost escritório de imigração de Paulo Figueiredo, comparsa de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos e um dos articuladores da ofensiva internacional contra o Brasil.

Fonte: DCM

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