Integrantes da campanha afirmam que medida compromete articulação eleitoral do senador do PL
Crédito: Rosinei Coutinho/STF I Geraldo Magela/Agência Senado
A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que proibiu o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) de visitar Jair Bolsonaro (PL) pelos próximos 90 dias provocou forte reação entre aliados do parlamentar. Segundo interlocutores da campanha de Flávio ouvidos pela coluna da jornalista Malu Gaspar, a medida inviabiliza qualquer encontro entre pai e filho até o primeiro turno das eleições, marcado para 4 de outubro.
Na avaliação desse grupo, a restrição atinge um momento considerado decisivo para a articulação política do PL, incluindo a definição de palanques estaduais e a convenção partidária que deverá oficializar a candidatura do senador à Presidência da República.
⦿ Aliados questionam fundamentação da decisão
Reservadamente, integrantes do núcleo político de Flávio afirmam que o período fixado por Moraes coincide com uma fase estratégica da campanha e contestam a justificativa apresentada pelo ministro.
Um interlocutor do senador declarou que “Flávio não usou rede social alguma. Inclusive Flávio já havia lido outra carta do pai, aquela em que ele o escolheu como o candidato da família! Bolsonaro pode, querendo, dar entrevistas. Lula deu várias. Se ele pode dar entrevistas, e o próprio Moraes já permitiu isso, por qual motivo suas cartas não podem ser lidas por terceiros?”. e “Flávio não pode falar em público ‘conversei com meu pai e ele disse isso….’? É proibido relatar conversas? Qual a diferença de ler uma carta? A carta é sigilosa?”, questionou o mesmo aliado em seguida.
⦿ Entorno de Flávio vê tentativa de isolamento político
Pessoas próximas ao senador também sustentam que a decisão produz efeitos políticos ao restringir a comunicação entre Jair Bolsonaro e aquele que foi escolhido pelo ex-presidente para representá-lo politicamente durante a campanha. “Se Bolsonaro elege Flávio de porta-voz e dias depois, possivelmente por isso, os contatos entre os dois são proibidos, a decisão faz o que sempre se quis: calar Bolsonaro”, disse um outro aliado do senador.
Os aliados lembram ainda que, em dezembro do ano passado, Alexandre de Moraes autorizou Jair Bolsonaro a conceder entrevista ao portal Metrópoles, embora o ex-mandatário tenha cancelado posteriormente a conversa, alegando problemas de saúde.
⦿ Moraes cita leitura de carta para justificar medida
Na decisão divulgada nesta segunda-feira, Alexandre de Moraes destacou a leitura pública de uma carta escrita por Jair Bolsonaro e apresentada por Flávio Bolsonaro. Durante a divulgação do documento, o senador afirmou: “é imperdível, um recado muito importante que ele quer dar a toda a nossa nação.”
Para Moraes, essa declaração demonstra que Jair Bolsonaro tinha “plena ciência de que sua carta seria divulgada em redes sociais”, o que, na avaliação do ministro, caracteriza possível descumprimento da medida cautelar que proíbe o ex-mandatário de utilizar redes sociais “diretamente ou por intermédio de terceiros”.
⦿ Medidas cautelares seguem em vigor
Jair Bolsonaro cumpre medidas cautelares impostas pelo Supremo Tribunal Federal no âmbito da ação penal relacionada à tentativa de golpe de Estado. O ex-mandatário, que atualmente está em prisão domiciliar por problemas de saúde, foi condenado a 27 anos e três meses de prisão no âmbito do inquérito da trama golpista.
Entre as restrições determinadas por Alexandre de Moraes está a proibição de utilização de redes sociais, de forma direta ou indireta. A nova decisão amplia essas limitações ao impedir que Flávio Bolsonaro visite o ex-mandatário pelos próximos 90 dias, período que se estende até a reta final da campanha eleitoral e alcança o primeiro turno das eleições.
Fonte: Brasil 247 com informações da coluna da jornalista Malu Gaspar
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